Gente que Cuenta

Batalhas,
por Vitória Melo

Amedeo Modigliani Atril press
Amedeo Modigliani,
Retrato de muchacha joven, 1915
Fuente: https://www.wikiart.org/

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        “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas” – Sun Tzu, A arte da guerra.

Por volta das 18 horas, saí do trabalho em direção ao Metrô, o que ainda não seria meu retorno para casa. Estava a caminho da faculdade, estação Paraíso.

Nessa época do ano, a noite demora a chegar, por isso, ainda estava claro. Na mesma calçada que eu, vinha caminhando uma mulher (que acredito ser a mãe) e um menino, sete anos talvez. Ele tinha um olhar cansado, incomum para crianças, pois costumam ser agitadas a qualquer hora do dia. Usava máscara, como as que nos acostumamos a usar no período da pandemia, e pude notar que não havia pelo nenhum em seu rosto, e nem fio algum de cabelo.

Eu estava cansada, tudo que gostaria de fazer era ir para casa, mas eu precisava assistir à aula. Na faculdade que eu escolhi ficar, do curso que eu optei por cursar. Estava saindo do trabalho que eu queria entrar, no setor que me prontifiquei a estar.

Mas o que o primeiro parágrafo do texto tem em relação ao segundo? O privilégio que eu tenho de escolher. Eu já “conhecia os inimigos, e a mim”. Eu sabia cada uma das batalhas que iria enfrentar. Nunca pensei em quanta sorte tenho por cada um dos meus “problemas” terem sido escolhidos por mim. Até cruzar com aquele menino.

Ele não sabia o que estava por vir, não escolheu a batalha, só pode enfrentar.

Talvez você, leitor, também não tenha escolhido algumas das batalhas. Talvez tenha sido pego de surpresa. Mas, se você pode escolher pelo que lutar, você é rico de sorte.

De acordo com “A Arte da Guerra”, conhecer o inimigo e a si mesmo é não temer a batalha. Poder escolhê-la então…

Vitoria Melo Atril press
Vitória Melo, nascida em 2002. Atualmente estuda Direito em São Paulo.
vitoriaoliveir6600@gmail.com

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