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“Se algo externo te incomoda, a dor vem da sua percepção.” – Marco Aurélio.
Todos já acordamos com o humor altamente radiante e, de maneira instantânea, temos a frágil ideia de que nada nem ninguém poderá nos roubar esta pobre alegria. Mas, ao colocar os pés na rua, nos expomos a um número infinito de possibilidades. Generosamente, distribuímos por aí a responsabilidade de nos agradar.
Logo de início, maldito trânsito! Irei me atrasar, certamente. Detesto esperar. Todo mundo resolveu sair no mesmo horário?
Após, chegamos ao trabalho: mais uma longa reunião. “Bom dia” animado demais para uma segunda-feira. Longas conversas sem sentido ao lado da pilha de curtos prazos. O clássico ambiente corporativo.
Já à tarde, briguei feio com meu namorado. Como ele pode pensar assim? Uma opinião tão divergente da minha.
À noite, na faculdade, a aula foi péssima; não absorvi uma linha sequer.
Acabou! E conseguiram, estragaram todo o meu dia!
Mas não havia como eu tê-los comandado. Então, por que eu lhes dei o poder de me controlar?
E se eu tivesse levantado mais cedo? E se tivesse visto a segunda-feira com olhos de recomeço? E se tivesse sido mais gentil? E se eu não tivesse razão? E se eu tivesse sido mais receptiva ao aprender?
Ainda assim, tudo poderia “sair dos trilhos”. Mas a minha percepção poderia ser menos dolorosa.
A falta do controle que sonhamos ter nos causa os maiores pesadelos. E aí é que está: até quando ficaremos à mercê de um dia bom para que possamos nos sentir bem. Um velho amigo sempre repete para mim: “No caos, coma morangos!”. É a forma dele me dizer: “Seja feliz!”.
Hoje foi um desses dias importantes, em que eu gostaria que tudo saísse bem para que fosse bom. Ao final, comi morangos!

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