
A rainha Elizabeth I nomeia Francis Drake cavaleiro em seu navio “Golden Hind” após sua viagem ao redor do mundo, mundo, c. 1920.
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Os corsários eram, basicamente, piratas com a papelada em dia. Com o consentimento de suas majestades — através da chamada carta de corso — e em troca de partilhar parte do saque, eles fizeram a festa entre os séculos XV e XIX. Sua missão era capturar navios inimigos, saqueá-los e, se fosse necessário, afundá-los. Daí tantas lendas de tesouros fabulosos no fundo do mar. Tudo perfeitamente “legal”.

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Se cometessem excessos, não sofriam maiores consequências: estavam amparados por uma coroa. E a coroa, por sua vez, lavava as mãos alegando não ter responsabilidade sobre os atos daqueles entusiastas do saque. Um acordo prático: uns davam a assinatura, outros os canhões.
Ambos ganhavam. As coroas mantinham o inimigo sob controle sem investir em frotas próprias, e os corsários ganhavam fama, fortuna e, em alguns casos, o status de heróis nacionais.
Entre os mais célebres estiveram Walter Raleigh, Henry Morgan e Francis Drake, a serviço de Elizabeth I da Inglaterra, assim como o otomano Barbarroja. A figura do corsário foi abolida oficialmente em 1856 com o Tratado de Paris, quando a revolução industrial e o surgimento das marinhas de guerra modernas tornaram obsoleta aquela prática tão — digamos — criativa.
O que me interessa nos corsários é o mecanismo que os tornou possíveis: uma autoridade que concedia uma licença para fazer o que, sem essa assinatura, seria simples pirataria. A história muda de cenário, mas o que não parece mudar é o fascínio por tornar legítimo aquilo que recebe um selo.
E se não acredita, veja, por exemplo, as benditas apostilas, que tanto nos atormentam a todos que vamos morar em outro país. E olha que não somos piratas…