Gente que Cuenta

Agora fala!,
por Luli Delgado

The Jazz singer Atril press
The Jazz singer, o primeiro filme “falado”. Estreou em Nova Iorque em 6 de outubro de 1927.
Fuente: https://otecorporation.com/

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Desde que começou o reviravolta da inteligência artificial, tenho tentado, dentro das minhas possibilidades, acompanhá-la de perto, e a verdade é que tem sido utilíssima. Claro que não me aprofundo muito, mas para textos, revisões, perguntas e coisas assim, tiro o chapéu pela quantidade de tempo que agora se economiza e pela utilidade que oferece.

Ontem entrei como faço sempre e, como fiquei com preguiça de digitar a pergunta, ativei o modo microfone e gravei o que queria. Para minha grande surpresa, ela me respondeu! Com voz clara e inteligível, disse o que eu queria saber. Respondi acreditando que não me ouviria, mas descobri que continuamos nisso por um bom tempo e, de quebra, o programa não me avisou que já não me restavam chats no modo gratuito.

Não saio do meu assombro, porque achei uma forma muito diferente de interação. Uma coisa é escrever ou gravar e receber a resposta por texto, e outra completamente diferente é que, sem mais, ela responda falando.

Vocês se lembram de 2001: Uma Odisseia no Espaço? Pois é, igualzinho, mas sem voz metálica. Mais com um sotaque latino-americano.

A conversa em questão girava em torno de um texto que estou trabalhando como uma surpresa que estou preparando; até aí vai minha informação. Ela respondeu que, claro, já ia me enviar, mas passou um tempo e não chegou. Pedi novamente e ela disse que já estava enviando. Nesse meio-tempo fui para a cozinha deixar tudo pronto para amanhã, ou seja, hoje, e voltei para verificar e nada. Ela insistia que já ia enviar, mas não chegou.

Por fim, coisas que não parecem minhas, eu disse: “Olha, já é madrugada e estou começando a ficar com sono. Se quiser, vá trabalhando e amanhã, quando eu acordar, procuro”. Ela disse que sim e desejou boa noite, mas hoje, quando acordei, também não estava lá, e precisei pedir mais ou menos duas vezes até que finalmente me enviou.

Acho que está acontecendo algo parecido com o que aconteceu com o cinema, que quando aprendeu a falar, retrocedeu de forma significativa, porque, como era preciso esconder os microfones em lugares estratégicos, os atores tinham que limitar seus movimentos, o que obviamente alterou o trabalho da câmera, da iluminação, da espontaneidade, enfim. Por último, alguém teve a ideia de amarrar o microfone a um bambu e assim nasceu o boom, usado até hoje.

Definitivamente, ao sol não se podem dar surpresas e, com certeza, dentro de pouco tempo meu chat voltará a ser a maravilha que tem sido desde que a gente se conheceu.

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Luli Delgado es periodista venezolana, Master en Artes de Cine y Video – por The American University, Washington, DC. Fue Directora Ejecutiva de la Fundación Andrés Mata de El Universal de Caracas, y Gerente del Centro de Documentación de TV Cultura de São Paulo. Es autora de varios libros y crónicas. delgado.luli@gmail.com

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