
Imagem gerada pela IA
Há vários dias venho remoendo a despedida de Diego, meu vizinho de andar, que se mudou sem mais nem menos e sabe Deus quando o veremos de novo. Agora leio, em uma das tantas coisas que a gente lê, que existe nas empresas o chamado fenômeno do cavalo morto, que é a inutilidade de comprar outra sela, trocar de veterinário ou criar um comitê de análise diante de um animal que deixou de existir.
Na minha mania de associar coisas, juntei essa história com a partida de Diego e me parece que foi exatamente isso o que aconteceu com ele: resolveu desmontar do cavalo do seu relacionamento e seguir o seu caminho.
Eu estava convencida de que eles eram o retrato da felicidade. Por isso, quando ele bateu na minha porta transtornado, jamais pensei que fosse para me dizer que estava indo embora. No início, me disse que era porque tinha uma nova oportunidade — essas coisas que a gente diz quando prefere não falar —, mas depois, com os olhos rasos d’água, a verdadeira razão veio sem rodeios: estava se separando.
Definitivamente, só quem fica do lado de dentro quando uma porta se fecha sabe o que realmente se cozinha em uma casa. Nós, de fora, não temos a menor ideia. Inclusive, inventamos a nossa própria versão. Daí a minha surpresa quando ele me contou que vinham arrastando uma relação conturbada desde o início do ano, que tinham tentado conciliar expectativas, mas que sentia que não havia mais nada a fazer. Por isso decidiu não apenas se separar, mas mudar para a Espanha e começar do zero. Enquanto o abraçava, com a tristeza de ver partir alguém tão jovem e querido, disse a ele com toda a convicção: se você já esgotou as possibilidades e sente que é para lá que deve ir, tem que ir. Ficar por inércia ou por medo é se condenar a viver com o fantasma do “o que teria acontecido se…?”.
Às vezes, a maior coragem não está em continuar remando contra a corrente, mas em ter a lucidez de aceitar que o ciclo terminou e, sem olhar para trás, correr o máximo que as pernas aguentarem, mas no sentido contrário…