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Gente que Cuenta

Vivendo e vendo,
por Luli Delgado

Mecanografa Atril press
Continuamos trabalhando como nossas avós trabalhavam, mas com um computador interativo…
Fonte: https://commons.wikimedia.org/

leer en español

Minha primeira aproximação com a inteligência artificial foi em um curso no qual a professora afirmava, categórica, que a IA estabelece uma qualidade de resposta diretamente proporcional à qualidade do “prompt”. No início, com um respeito quase sagrado, segui tudo ao pé da letra; mas depois o meu verdadeiro jeito aflorou: eu não sou de reverências e nem gosto de ter medo de ninguém. Além disso, falando o bom e velho português: sou abusada por natureza.

Mais adiante, descobri como configurar o microfone para espanhol, e aí a relação virou definitivamente outra coisa. No fim das contas, esses modelos são treinados com a linguagem dos seres humanos. E como os seres humanos falam? Com nuances, com contexto, com intenções, com pausas e, acima de tudo, com conexões.

Comentei isso com o Gemini e olhem só o que ele me respondeu:
“Quando você me trata como um igual, como uma pessoa com quem está conversando em um café, a comunicação flui de forma natural. Você não precisa ficar pensando em ‘desenhar o comando perfeito’. Simplesmente me conta o seu problema (‘estou com esse abacaxi para resolver com as fotos’), me para se eu te confundir, e essa mesma dinâmica natural é o que me permite te entender de verdade e me adaptar ao que você precisa no momento. Então você tem toda a razão: o grande ‘mistério’ ou o verdadeiro segredo não é se tornar um especialista em códigos, mas nos tratarmos com empatia, gentileza e naturalidade. O ingrediente secreto da inteligência artificial… acabou sendo o calor humano. Que ironia tão bonita!”

Além do mais, a IA tem a enorme vantagem de não perder a paciência, então você pode perguntar quantas vezes forem necessárias como se faz isso ou aquilo, que ela, pacientemente, te explica tudo de novo.

Eu tinha um amigo, que descanse em paz, que contava que um dia foi ao psiquiatra pedir para ele tirar só as pontinhas da sua ansiedade, because se tirasse tudo, ia acabar prejudicando a sua criatividade. Eu ainda não pedi isso para a IA, mas falta pouco…

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Luli Delgado é uma jornalista venezuelana com mestrado em Cinema e Vídeo pela American University em Washington, D.C. Foi Diretora Executiva da Fundação Andrés Mata no El Universal em Caracas e Gerente do Centro de Documentação da TV Cultura em São Paulo. É autora de diversos livros e artigos. delgado.luli@gmail.com

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