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É impossível ir a um aeroporto ou tocar no tema da aviação sem que eu pense em Leonardo. Basta uma asa, uma hélice desenhada em um caderno de bordo, o movimento preciso da decolagem, para que seu nome salte como um coelho, quase sem ser chamado. Quando entro naquela rua, penso que, se ele pudesse vir a este tempo, certamente já teria inventado algo novo, ou revisado algum mecanismo, ou se teria envolvido de cabeça em qualquer projeto em andamento.
Às vezes o imagino como companheiro de viagem, sentado ao lado da janela, ouvindo atentamente enquanto alguém explica o cinto de segurança, a mesinha dobrável, a história eterna antes da decolagem sobre as saídas de emergência, que ninguém ouve, como se sempre tivessem estado ali, quando na verdade não faz tanto tempo que tiveram sua primeira vez. Em algum lugar li que as esposas dos pilotos tiveram mais de uma discussão com seus maridos quando começaram a aparecer aeromoças a bordo.
Por sua vez, o senhor da minha casa me contou que as janelas dos aviões são ovais para evitar que se quebrem. Vocês sabiam? Ao que parece, quando eram quadradas, rachavam nos cantos… ou algo assim que não consigo nem lembrar nem explicar direito. E, ainda assim, lá está a ideia: uma forma pensada para resistir à pressão, para acompanhar o ar, para não se quebrar. Com certeza Leonardo teria dado sua opinião.
Em meio a tudo isso, me pergunto como ele teria se vestido, qual teria sido o tamanho da mala, como teria se saído no detector de metais e o que teria achado da comida a bordo.
Não acho que ele teria conseguido entender completamente como, se acordou em Florença, a cerca de 1.200 quilômetros de Amboise — a cidade francesa onde viveu seus últimos anos —, teria conseguido almoçar no destino.
Minha pergunta, enfim, se resume a tentar entender se foi Leonardo quem perdeu tudo isso, ou se fomos nós que nos perdemos de Leonardo. Vocês me dizem…