
O Balanço, 1767
Intervenção digital realizada por IA
Fonte: https://www.wikiart.org/
Desidratados e em conserva no álcool, não existem nem bons nem maus palavrões, podem reparar. Mas todos sabemos que eles existem, sim, e que além do mais estão presentes em todos os idiomas. Acho que ninguém se salva.
Normalmente estão relacionados à sexualidade — o que inclui genitália, preferências, a extremidade final do aparelho digestivo, alusões à maternidade —, e por aí vai. Mas, em geral, estes seriam, digamos assim, os pontos de referência básicos.
Antigamente, eram atribuídos às classes mais baixas, e, pensando bem, isso tem sua explicação. Por se tratar de pessoas com pouco acesso à educação, qualquer expressão dentro do universo do “palavrão” servia para expressar o que, em um mundo mais instruído, exigiria muito mais vocábulos — além de acabar sendo uma economia de linguagem. Uma menção à sua mãe resume muita coisa, ou quando você dá uma martelada no próprio dedo, ou quando alguém o leva ao limite da sanidade. Lembremos que toda regra tem sua exceção. Disso não há dúvida.
Mas, aos poucos, foi se infiltrando até se tornar uma linguagem de domínio público. Agora não faz falta ter linhagem, nobreza ou ser da “povo plano” para lançar mão do que convencionou-se chamar de “palavrões”.
A Real Academia Espanhola admite alguns. Quando não tiverem nada para fazer, deem uma olhada para ver, mas isso não significa a redenção dos seus pecados.
Colocados no banco dos réus, a cada dia eles são de uso mais frequente, e não é porque nos acostumamos que deixam de ser de mau gosto — o que, novamente, é um termo muito relativo. É como uma rebelião contra os bons costumes do passado, embora os bons costumes não tenham época.
Com a mão no coração, tenho que admitir que não sou quem para atirar a primeira pedra, mas devo reconhecer que, refletindo sobre o assunto, tenho tentado restringir esse vocabulário à sua mínima expressão. Parece-me uma boa ideia que, em vez de nivelar por baixo, tentemos superar o idioma que temos — que, diga-se de passagem, é riquíssimo.
Enfim, estou a um passo de dar um sermão, então acho melhor parar por aqui. Só queria compartilhar com vocês que esse tipo de linguagem também, à sua maneira, polui — quase como jogar uma lata no mar —, e que já seria hora de mantermos isso em mente. Eu já fui uma usuária de alta frequência. Agora que estou ficando velha…