Nem bom día,
por Alfredo Behrens
leer en español Os paralelepípedos de Zurique estavam limpos o suficiente para se comer neles, mas o silêncio era pesado. Elias passou por uma centena de pessoas, cada uma delas um planeta silencioso orbitando seu próprio smartphone. Dizer “bom dia” ali era como gritar em uma biblioteca; não era apenas inesperado, era uma violação do contrato social.Ele se lembrou da poeira de uma vila no Malaui, onde uma caminhada de cinco minutos levava vinte porque todas as pessoas — da avó descascando milho à criança correndo atrás de um bambolê — exigiam um reconhecimento formal de sua existência. Passar em silêncio era uma declaração de guerra, ou pelo menos um sinal de um espírito profundamente perturbado.“Por que o silêncio?”, Elias perguntou a um amigo local mais tarde, enquanto tomavam um ...




