Não estamos sós,
por Alfredo Behrens
leer en español O café esfriava na xícara, mas a fumaça subia em espirais estranhas, desafiando a brisa leve que entrava pela janela. Caio ajustou os óculos e voltou a atenção para a tela do computador. Sentia o pescoço rígido, um arrepio incômodo que teimava em descer pela espinha. Ignorou. Apressado pelo trabalho, achava que era apenas o cansaço do fim de semana.Ele não os via, mas eles estavam lá.Não como monstros de filmes ou sombras aterrorizantes, mas como suspiros de memória que o mundo se recusava a apagar. Ao lado da estante, a figura sutil de Dona Cecília, a antiga moradora do imóvel, ajeitava com dedos invisíveis o vaso de cerâmica que Caio havia mudado de lugar. Ela não tinha pressa, tampouco raiva; apenas mantinha a rotina que cultivara por oitenta anos.Mais perto da p...






