Gente que Cuenta

Moda, a mãe da cafonagem

Oskar Schlemmer
“Female dancer” 1922/23

 

leer en espanhol

Não há nada mais cafona que a própria moda. Dita tendências que ninguém pediu a fim de instigar o consumismo. Em um anúncio de uma loja de roupas dizia: “Um look para cada Mood”. Para os desavisados: look significa visual, mood significa humor. E pasmem, a modelo tinha uma roupa para o humor planejamento. O que seria um humor planejamento? Confesso que ainda estou sem entender esse mood, mas compreendo o que está por trás da publicidade em questão.

A moda gera desejos e a falsa ideia de empoderamento através de alguns pedaços de pano que escondem e relevam partes do corpo. O mais interessante é que a moda diz ao consumidor que se ele vestir a roupa da estação estará sendo autêntico, mas na verdade, ele fica igual a todas as outras pessoas que aderiram. Tudo bem que precisamos nos sentir pertencentes ao meio, mas será que não podemos ter mais consciência da manipulação que a moda exerce sobre nosso consumo?

A indústria têxtil é uma das que mais polui o meio ambiente, inclusive agora com o fast fashion, uma moda rápida de peças baratas e quase descartáveis, agrava essa questão. Tudo em prol do sentimento de parecer única.

Estilo para mim é ter personalidade suficiente para usar o que quiser. Apropriado é estar confortável. Tendência é ter roupas que eu possa repeti-las, afinal “lavou, ta nova”. Revelo a vocês que sobre o imperativo da moda meu mood é ranço e meu look é pijama, porque não há nada mais chique que a nossa roupa de dormir, mesmo que você durma sem nada.

Fabiana Louro

É multiartista, formada em Artes Cênicas, Dança e Pedagogia. Trabalhou em projetos socioculturais e escolas públicas como educadora de teatro, dança contemporânea e flamenco. Faz parte de sua trajetória a pesquisa em butô, dança pessoal, flamenco, videodança, haicai, poesia e música.  Atualmente cursa mestrado em Educação, é diretora e atriz do Grupo Fuga e cantora do trio Grupeto.

fabislouro@gmail.com

Leave a Reply