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Gente que Cuenta

Surrupiadores de museu,
por Luli Delgado

Pierre Auguste Renoir Atril press
Pierre-Auguste Renoir,
Los peces, 1917 
Fuente: https://www.ilrestodelcarlino.it/

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           As chamadas belas-artes são sempre notícia, e nem sempre por suas tendências de vanguarda ou pelo descobrimento de uma obra perdida, mas pelos incidentes que giram em torno do seu requintado e sofisticado mundo.

Reparem só. Esta semana, a polícia finalmente conseguiu encontrar o paradeiro de um Renoir, um Matisse e um Cézanne que foram roubados em março passado em um museu perto de Parma, na Itália. O momento ficou gravado pelas câmeras de segurança e a verdade é que dá para ver que foi coisa de profissionais. Sabiam exatamente ao que iam, duraram apenas o tempo necessário e foram embora sem deixar rasto.

As obras, todas localizadas na Fondazione Magnani Rocca, aparentemente não estavam protegidas por sistemas de alarme, nem as salas contavam com sensores, então os bandidos entraram, fizeram o que tinham de fazer e Ciao.

Quem gosta de cinema já viu histórias parecidas mais de uma vez, nas quais os ladrões são pegos quando tentam vender o espólio. Claro, a diferença é que muitas vezes acompanhamos a preparação do golpe, que sempre tem o seu charme. Enfim.

Os Carabinieri italianos não deram maiores detalhes, mas, em compensação, o pessoal do museu se manifestou dizendo: “A beleza triunfou: Renoir, Cézanne e Matisse foram recuperados.”

Ponto e parágrafo

Enquanto isso, do outro lado do mar, um jovem se passou por guia de museu. Parece que, entediadíssimo em casa, resolveu fazer um crachá falso, comprar uma camiseta preta e foi para lá, para o próprio museu. Toda vez que via os guias ocupados, levantava a mão e levava um grupo de turistas incautos pelas salas de exposição, dando asas à imaginação e contando o que vinha à cabeça sobre cada obra. O seu “trabalho” durou três dias, até que um supervisor contou os guias e descobriu que havia um a mais.

Particularmente, participar do roubo dos quadros teria me dado pânico. Se eu já ficava nervosa jogando esconde-esconde, calculem vocês em uma situação dessas! Por outro lado, teria adorado ser uma das turísticas guiadas pelo rapaz de Boston, que, a meu ver, foi muito mais criativo e inteligente do que esse monte de jovens dedicados ao hacking. Mesmo partindo da premissa de que não fosse um mestre da arte, pelo menos teve a inventividade de criar histórias sobre cada quadro, o que não deixa de ter o seu mérito. Eu até teria saído em sua defesa, porque, no fundo, medrosa e tudo, teria adorado estar no lugar dele…

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Luli Delgado é uma jornalista venezuelana com mestrado em Cinema e Vídeo pela American University em Washington, D.C. Foi Diretora Executiva da Fundação Andrés Mata no El Universal em Caracas e Gerente do Centro de Documentação da TV Cultura em São Paulo. É autora de diversos livros e artigos. delgado.luli@gmail.com

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