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Alfredo Behrens

Taxista do aeroporto,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens, 248d

Taxista do aeroporto,
por Alfredo Behrens

leer en español         A gente sai tonto do avião, e a felicidade é encontrar uma fila curta de táxis. Prefiro motoristas silenciosos. Mas não tive sorte. Mal me sentei, ele me perguntou se eu vinha a trabalho ou a passeio, e antes que eu respondesse já sabia, porque os que vêm a trabalho carregam a mesma bagagem cansada e o mesmo olhar sem janela. Bom, pelo menos não precisei responder.O sujeito dirigia como se a cidade fosse dele, o que de certo modo era, porque a conhecia de trás pra frente, e retomou a conversa. Contou que a irmã tinha estudado enfermagem à noite, que trabalhava no hospital municipal onde os pobres vão morrer e os ricos também, só que em quartos separados. Cruzamos uma avenida que atravessa a cidade de ponta a ponta e ele me disse que leva o nome de um presidente que ...
Taxista de aeropuerto,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

Taxista de aeropuerto,
por Alfredo Behrens

 ler em português        Uno sale mareado del avión, y la felicidad es encontrar una fila corta de taxis. Prefiero los choferes silenciosos. Pero no tuve suerte. Mal me senté, me preguntó si venía a trabajar o a visitar, y antes de que yo respondiera ya lo sabía, porque los que vienen a trabajar llevan el mismo equipaje cansado y la misma mirada sin ventana. Bien, por lo menos no tuve que responderle. El tipo conducía como si la ciudad fuera suya, que en cierto modo lo era, porque la conocía al revés, y retomó la conversación. Me contó que su hermana había estudiado enfermería en el nocturno, que trabajaba en el hospital municipal donde los pobres van a morir y los ricos también, solo que en cuartos separados. Cruzamos una avenida que atraviesa la ciudad de punta a punta y me dijo que llev...
Onde vai acabar?,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens, 247b

Onde vai acabar?,
por Alfredo Behrens

leer en españolOntem mesmo, ao escovar os dentes frente ao espelho percebi que a minha imagem ainda bocejava na cama. Xinguei o Ministro das Finanças, basta! Mas a minha voz não saiu senão uns segundos depois e não a reconheci, como quando a gente escuta a nossa voz gravada. Comecei a ficar preocupado. Decidi sair de casa e para desanuviar tomar o café da manhã na padaria. Mas a maçaneta, que sempre abria no sentido do relógio agora abriu no sentido contrário. Estava ficando mais esquisito. Na padaria, onde o Manuel sabia me dar sempre um pão na chapa com um café pingado, hoje nem parecia me reconhecer, e tive de pedir meu café da manhã para Rosa, para quem eu sempre piscava um olho, mas ela sorriu para o cara que estava detrás de mim na fila. Pior foi quando cheguei no escritório e tinha ...
¿Dónde acabará esto?,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

¿Dónde acabará esto?,
por Alfredo Behrens

ler em português        Justo ayer, mientras me cepillaba los dientes frente al espejo, noté que mi imagen seguía bostezando en la cama. Maldije al ministro de Hacienda: ¡ya basta! Pero mi voz no salió hasta unos segundos después, y no la reconocí, como cuando escuchas tu voz grabada. Empecé a preocuparme. Decidí salir de casa y, para despejarme, desayunar en la panadería. Pero el pomo de la puerta, que siempre abría en el sentido de las agujas del reloj, ahora abría en el sentido contrario. Cada vez era más raro. En la panadería, donde Manuel siempre sabía cómo darme un panecillo tostado con medio litro de café, hoy ni siquiera parecía reconocerme, y tuve que pedirle el desayuno a Rosa, a quien siempre le guiñaba el ojo, pero ella le sonrió al tipo que estaba detrás de mí en la fila. Peor...
O alfabeto de Manuel,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens, 246c

O alfabeto de Manuel,
por Alfredo Behrens

leer en español        Ele sentou-se perto da minha mesa com uma quietude resoluta. Os olhos azuis, embora cansados, carregavam uma névoa de desfoque, como se olhassem para dentro. Apresentei-me, e ele, com uma elegância simples, disse chamar-se Manuel.Aos 79 anos, a vida de Manuel era um mapa de ausências e presenças. Teve dois filhos; um deles partido cedo demais, aos cinco anos, em um acidente. O outro cresceu e lhe deu um neto de 29 anos, seu único herdeiro de histórias. Filho de agricultores, Manuel trocou a terra pelo fardamento quando foi enviado para Angola.Lá, sua arma era a comunicação. Ao notar um anúncio da cerveja BOCK sobre minha mesa, seus olhos brilharam por um instante. "Se eu tivesse que transmitir isso," explicou, "diria: Bravo, Oscar, Charlie, King. E entenderiam, como ...
El alfabeto de Manuel,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

El alfabeto de Manuel,
por Alfredo Behrens

ler em português       Se sentó cerca de mi mesa con una quietud resuelta. Sus ojos azules, aunque cansados, llevaban una neblina de desenfoque, como si miraran hacia adentro. Me presenté, y él, con una elegancia sencilla, dijo llamarse Manuel.A los 79 años, la vida de Manuel era un mapa de ausencias y presencias. Tuvo dos hijos; uno de ellos se fue demasiado pronto, a los cinco años, en un accidente. El otro creció y le dio un nieto, hoy con 29 años, su único heredero de historias. Hijo de agricultores, Manuel cambió la tierra por el uniforme cuando fue enviado a Angola.Allí, su arma era la comunicación. Al notar un anuncio de la cerveza BOCK sobre mi mesa, sus ojos brillaron por un instante.—Si yo tuviera que transmitir esto —explicó— diría: Bravo, Oscar, Charlie, King. Y lo entenderían,...
Nem bom día,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens, 245b

Nem bom día,
por Alfredo Behrens

leer en español        Os paralelepípedos de Zurique estavam limpos o suficiente para se comer neles, mas o silêncio era pesado. Elias passou por uma centena de pessoas, cada uma delas um planeta silencioso orbitando seu próprio smartphone. Dizer “bom dia” ali era como gritar em uma biblioteca; não era apenas inesperado, era uma violação do contrato social.Ele se lembrou da poeira de uma vila no Malaui, onde uma caminhada de cinco minutos levava vinte porque todas as pessoas — da avó descascando milho à criança correndo atrás de um bambolê — exigiam um reconhecimento formal de sua existência. Passar em silêncio era uma declaração de guerra, ou pelo menos um sinal de um espírito profundamente perturbado.“Por que o silêncio?”, Elias perguntou a um amigo local mais tarde, enquanto tomavam um ...
Ni buenos días,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

Ni buenos días,
por Alfredo Behrens

ler em português        Los adoquines de Zúrich estaban tan limpios que se podía comer en ellos, pero el silencio era abrumador. Elías pasó junto a un centenar de personas, cada una de ellas un planeta silencioso orbitando alrededor de su propio smartphone. Decir «buenos días» allí era como gritar en una biblioteca; no solo era inesperado, era una violación del contrato social.Recordó el polvo de un pueblo de Malaui, donde un paseo de cinco minutos llevaba veinte porque todas las personas, desde la abuela que pelaba maíz hasta el niño que corría detrás de un hula-hula, exigían un reconocimiento formal de su existencia. Pasar en silencio era una declaración de guerra, o al menos un signo de un espíritu profundamente perturbado.«¿Por qué el silencio?», le preguntó Elías a un amigo local más ...
O caminho da seda,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens, 244c

O caminho da seda,
por Alfredo Behrens

leer en españolMartha voltou de Finisterre e deu uma entrevista na televisão assistida por milhares de pessoas. Todos ficaram fascinados com o lado de rejuvenescimento da sua história.No final da semana, Aris tinha removido filamentos de quarenta e três pacientes. A Ordem dos Médicos fechou a sua clínica, apreendeu todas as suas amostras e ameaçou-a com a revogação da licença. As amostras ficaram em um laboratório do outro lado da cidade onde, de acordo com um colega que conseguiu entrar, equipes de biólogos tentavam entender o que estavam vendo.Ela soube por outro colega que um dos cientistas acidentalmente tocou um filamento em sua própria têmpora e perdeu a memória do quinto aniversário de sua filha. Simplesmente desapareceu, como um arquivo excluído. Depois disso, eles trancaram as amo...
El camino de la seda,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

El camino de la seda,
por Alfredo Behrens

ler em portuguêsMartha regresó de Finisterre y concedió una entrevista televisiva que vieron miles de personas. Todos quedaron fascinados por el aspecto rejuvenecedor de su historia.Al final de la semana,  la Dra. Aris había extraído filamentos de cuarenta y tres pacientes. Posteriormente, la Junta Médica cerró su clínica, confiscó todas sus muestras y la amenazó con revocarle la licencia. Las muestras se encontraban en un laboratorio al otro lado de la ciudad donde, según un colega que había conseguido entrar, equipos de biólogos intentaban comprender lo que estaban viendo.Se enteró por otro colega de que uno de los científicos había tocado accidentalmente un filamento en su propia sien y había perdido el recuerdo del quinto cumpleaños de su hija. Simplemente desapareció, como un archivo ...
A trama,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens, 243b

A trama,
por Alfredo Behrens

leer en españolMarta deixou o marido, filhos e netos e, leve e feliz, partiu para Finisterre.No silêncio do consultório em penumbras, a Dra. Aris colocou um único fio sob o microscópio. O filamento era uma trepadeira oca repleta de faíscas douradas: vitalidade humana pura e destilada. Alimentava-se da cor da alma, deixando para trás apenas a casca cinzenta de uma vida “sensata”. Havia um eco de Victor Frankenstein em sua dúvida. Ela ergueu as pinças sobre a própria cabeça, mas a vaidade e a culpa lutaram até o impasse. Baixou a ferramenta, escolhendo o peso cinzento da memória. Mas o espécime morria no frasco de vidro. Ela ignorou o sangue de Marta; precisava de história. Em um momento de fria curiosidade, Aris encostou um filamento em sua própria têmpora. Sentiu um lampejo de seu sétimo a...
La trama,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

La trama,
por Alfredo Behrens

ler em português        Marta dejó a su marido, hijos y nietos y leve y feliz, se fue a Finisterre.En el silencio del consultorio en penumbras, la Dra. Aris colocó una sola hebra bajo el microscopio. El filamento era una enredadera hueca llena de chispas doradas: vitalidad humana pura y destilada. Se alimentaba del color del alma, dejando atrás solo la cáscara gris de una vida "sensata". Había un eco de Víctor Frankenstein en su duda. Levantó las pinzas sobre su propia cabeza, pero la vanidad y la culpa lucharon hasta el estancamiento. Bajó la herramienta, eligiendo el peso gris de la memoria. Pero el espécimen moría en el frasco de vidrio. Ignoró la sangre de Martha; necesitaba historia. En un momento de fría curiosidad, Aris tocó un filamento con su propia sien. Sintió un destello de su ...