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Gente que Cuenta

Larnaca square,
por Fernando Carmino Marques

Aristoteles cortandole el pelo a Platon Atril press
Aristóteles corta o cabelo a Platón
Imagem gerada pela IA

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        Aristóteles é agora barbeiro. Platão divorciou-se, perdeu o emprego e durante muito tempo encontrou refúgio em bares e outras ilusões antes de abrir uma pequena loja de recordações para turistas que de regresso se questionam sobre a sua utilidade.

Intenso, pesado, o sol dói no corpo e na alma. Aristóteles adormece, Platão sonha e à hora em que os gatos se deitam no meio da rua “como se fosse na cama”, invejando a sorte felina, “porque nem sorte se chama”, Aristóteles espera calmamente a chegada de Platão para mais uma partida de gamão. Perto, na praça cansada de tanto cosmopolitismo, turistas sorvem a pequena felicidade do instante, indiferentes a Zenão que passa arrastando o passo e de cabeça pendente de tanto pensar se questiona se o movimento existe, se eles existem, se ele existe e se a consciência também é uma ilusão.

Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques é Doutor em letras pela Universidade de Paris IV –Sorbonne. Traduziu e editou o estudo inédito de Pierre Hourcade sobre a poesia de Fernando Pessoa: "A Mais Incerta das Certezas", "Itinerário Poético de Fernando Pessoa" (Coleção “Ensaios” sobre Fernando Pessoa, "Tinta-da-china", Lisboa, 2016. É docente convidado na Universidade de Atenas e realiza cursos e palestras em universidades europeias e brasileiras sobre a poesia de Fernando Pessoa e "Como ensinar poesia a quem não gosta de ler". Como ficcionista publicou: "Sobre outra coisa ainda" (13 short stories), Coleção LPF 20, X11, Edições esgotadas, Porto 2018; "Neste sonho que sou de mim", Coleção LPF 20, X1, Edições esgotadas, Porto 2020. Como se de outro ela fosse, Edições esgotadas, Porto 2023. Fotografía: Oliver Perrin

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