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Fernando Carmino Marques

Trás a nuvem,<br/> por Fernando Carmino Marques
262b, Fernando Carmino Marques

Trás a nuvem,
por Fernando Carmino Marques

leer en español         Não sei porquê, mas decidi sair cedo. Não era que tivesse pensado fazer fosse o que fosse, nem que o ruído da rua me tivesse forçado a contemplar a madrugada, não! apenas decidi sair mais cedo. Talvez para escapar aquele outro eu que anda sempre comigo, me manda parar quando me apetece andar, me acena com a razão como se eu fosse a criança que distraidamente atravessa a rua movimentada da cidade, o cachorrinho de estimação que de suposta felicidade rebenta ao imaginar a recompensa por ser bem-comportado. Não sei porquê, mas decidi sair cedo. Quem sabe se para me convencer que poderia viver sem a sombra que arrasto comigo, aquela que me critica quando nada lhe peço, sussurra que não vale a pena pensar se a vida vale a pena e me aconselha a resignação como remédio pa...
Fernando Carmino Marques

Tras la nube,
por Fernando Carmino Marques

ler em português      No sé por qué, pero decidí salir temprano. No era que hubiese pensado hacer lo que fuese, ni que el ruido de la calle me hubiese obligado a contemplar la madrugada, ¡no! simplemente decidí salir más temprano. Tal vez para escapar de ese otro yo que siempre anda conmigo, me manda parar cuando me apetece caminar, me llama la atención con la razón como si yo fuese el niño que distraídamente cruza la calle concurrida de la ciudad, el perrito de mascota que de supuesta felicidad estalla al imaginar la recompensa por ser bien portado. No sé por qué, pero decidí salir temprano. Quién sabe si para convencerme de que podría vivir sin la sombra que arrastro conmigo, aquella que me critica cuando nada le pido, susurra que no vale la pena pensar si la vida vale la pena y me acons...
Chão flutuante, por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques, 257b

Chão flutuante, por Fernando Carmino Marques

leer en español         Como dois pássaros de asas quebradas, atravessam as ruas adormecidas da cidade que aproveita para descansar da feroz agitação dos homens. Ambos receiam que o silêncio se rompa e indomáveis palavras revelem a dor que a cada passo lhes aperta a garganta e quase sufoca. Amordaçam o suspiro, refugiam-se em recordações. A lua, confidente dos solitários, observa-os e sorri porque sabe que o muro em que cada um deles se esconde é tão frágil como a sua breve existência. Silentes, para não incomodar a vigilância noturna dos gatos, questionam as estrelas e o chão parece flutuar. Não longe, o marulho do mar lembra-lhes o castelo que de cócoras construíam na areia quente da praia, e quando impiedosa a maré subia e em revolta contra a onda pisavam e repisavam o que restava até ...
Suelo flotante,<br/> por Fernando Carmino Masques
Fernando Carmino Marques

Suelo flotante,
por Fernando Carmino Masques

ler em português        Como dos pájaros de alas rotas, atraviesan las calles adormecidas de la ciudad, que aprovecha para descansar de la feroz agitación de los hombres. Ambos temen que el silencio se rompa y que palabras indomables revelen el dolor que, a cada paso, les aprieta la garganta y casi los asfixia. Amordazan el suspiro, se refugian en los recuerdos. La luna, confidente de los solitarios, los observa y sonríe porque sabe que el muro en el que cada uno de ellos se esconde es tan frágil como su breve existencia. Silenciosos, para no perturbar la vigilancia nocturna de los gatos, cuestionan a las estrellas y el suelo parece flotar.No muy lejos, el rumor del mar les recuerda el castillo que construían en cuclillas sobre la arena caliente de la playa, y cuando la marea subía despiad...
No nevoeiro do tempo,<br/> por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques, 255b

No nevoeiro do tempo,
por Fernando Carmino Marques

leer en español        Regressaste onde ninguém te esperava. As ruas mais largas deixavam-te perdido no labirinto de memórias que trazias contigo sem que o fio das recordações te levasse a parte alguma. O olhar intolerante de quem de soslaio te observava arrepiava-te a alma. Sentias-te irreconhecível, estranho, o outro que nunca julgaste poder vir a ser. Ao imaginar acariciar a inapreensível felicidade nunca pensaste vir a encontrar o que não esperavas. Sôfrega a cidade estendia-se horizontal e vertical engolindo o sonho dos homens, como a areia suga a mais breve gota de chuva. Mas tu, ingénuo que ainda acredita na beleza dos dias e na consciência dos homens, procuraste uma vez mais refúgio na fé dos poetas que sentem saudade do que não existe e fingem esquecer que o enredo da vida é não t...
Neblina del tiempo,<br/> por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

Neblina del tiempo,
por Fernando Carmino Marques

ler em português        Regresaste a donde nadie te esperaba. Las calles más anchas te dejaron perdido en el laberinto de recuerdos que llevabas contigo, sin el hilo conductor de las memorias que te guiara a ninguna parte. La mirada intolerante de quienes te observaban de reojo te heló el alma. Te sentías irreconocible, extraño, el otro en quien nunca pensaste que podrías convertirte. Al imaginar una felicidad esquiva y acariciadora, nunca pensaste que encontrarías lo que no esperabas. La ciudad se extendía horizontal y verticalmente, engullendo los sueños de los hombres, como la arena que absorbe la más breve gota de lluvia. Pero tú, ingenuo que aún cree en la belleza de los días y en la conciencia de los hombres, buscaste refugio una vez más en la fe de los poetas que anhelan lo que no e...
Leve, lenta, flutuando…<br/> por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques, 250d

Leve, lenta, flutuando…
por Fernando Carmino Marques

leer en español Tudo o que desejamos deixar para trás e a cada passo que damos se arrasta, pesa, e quase afoga, quando pretendemos a travessar o rio, é como levar para casa o barco e o cais depois de desembarcar. Assim são os pensamentos que andam comigo e sem me aperceber se confundem com o ar que respiro. Lembro a tarde em que falaste do silêncio que o fluir do rio desperta no coração de quem o sabe deveras ver. Calado pela metáfora, aproximei-me da luminosidade da água e fixei a nuvem que vinda não sei de onde e quando tornou menos azul o céu. Sem entender porquê, a tua voz provocava em mim o inexprimível desejo de alcançar a margem distante do rio que serena parecia desafiar-me, prometendo o que nunca ousei sequer poder vir a sonhar. E igual à cor que então eu via nos teus olhos, a le...
Lenta, leve, flotando,<br/> por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

Lenta, leve, flotando,
por Fernando Carmino Marques

ler em português        Todo lo que deseamos dejar atrás nos arrastra, nos pesa y casi nos ahoga cuando intentamos cruzar el río; es como llevarnos el barco y el muelle a casa después de desembarcar. Estos son los pensamientos que me acompañan, y sin darme cuenta, se entrelazan con el aire que respiro. Recuerdo la tarde en que hablaste del silencio que el fluir del río despierta en el corazón de quien realmente sabe verlo. Silenciado por la metáfora, me acerqué a la luminosidad del agua y fijé la mirada en la nube que, viniendo de no sé dónde ni cuándo, hacía que el cielo fuera menos azul. Sin comprender por qué, tu voz provocó en mí el deseo inexpresable de llegar a la orilla lejana del río que parecía desafiarme serenamente, prometiéndome lo que jamás me atreví a soñar. Y como el color q...
Breve feixe de luz,<br/> por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques, 247b

Breve feixe de luz,
por Fernando Carmino Marques

leer en español       Olhou para mim e, como se procurasse atravessar as nuvens cinzentas que cobriam o céu, com meio sorriso virou lentamente a cabeça para a janela e disse: “Quando ali estiver, se me lá me aceitarem, na estrada sem fim, impassível do céu, verei melhor a arrogância dos homens, saberei conversar com o silêncio e sentirei o espírito da terra.” Como tinha os olhos quase fechados pensei que o cansaço a tinha deixado naquela orla onde o sono se confunde com o sonho e as ondas ao roçarem na areia gemem inconformadas com o fim da viagem. Sobre a mesa de cabeceira, do lado direito da cama onde estava deitada, a vela perfumada que em recente aniversário alguém lhe ofereceu hesitava entre extinguir-se e continuar a espalhar a indefinível fragância que me deu a ilusão que de um morn...
Breve haz de luz,<br/> por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

Breve haz de luz,
por Fernando Carmino Marques

ler em português        Me miró y, como si intentara atravesar las nubes grises que cubrían el cielo, con una media sonrisa, giró lentamente la cabeza hacia la ventana y dijo: «Cuando esté allí, si me aceptan, en el interminable e impasible camino del cielo, veré mejor la arrogancia de los hombres, sabré conversar con el silencio y sentiré el espíritu de la tierra». Con los ojos casi cerrados, pensé que el cansancio la había abandonado en esa orilla donde el duermevela se mezcla con los sueños y las olas, al rozar la arena, gimen, inconformes con el final del viaje. En la mesita de noche, a la derecha de la cama donde yacía, la vela perfumada que alguien le había regalado en su reciente cumpleaños dudó entre apagarse y seguir esparciendo la indefinible fragancia que me daba la ilusión de q...
Janelas de luz,<br/> por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques, 242d

Janelas de luz,
por Fernando Carmino Marques

leer en español        Naquele dia não foi preciso regar a planta que num embrulho de ternura me ofereceste. Era pequena. Bastava juntar as mãos em forma de concha e acariciá-la para que ela sentisse o calor na raiz da alma. Nos dias e meses seguintes uma só palavra e as suas folhas tenras e verdejantes enchiam as janelas de luz. Era espantoso sentir como a planta que trazias embrulhada em ternura descobria o mínimo recanto da casa e como a lua, apesar da rua estreita e ruidosa, descia vermelha do céu e ali ficava conversando até que ambas bocejavam e a madrugada acordava. Depois, larga sombra que se espalha pela casa, o outono trouxe o silêncio que torna a alma das plantas mais pequenas. A lua, cansada da rua estreita e ruidosa, ficou mais distante no céu e as palavras, janelas de luz, es...
Ventanas de Luz,<br/> por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

Ventanas de Luz,
por Fernando Carmino Marques

ler em português        Ese día, no hubo necesidad de regar la planta que con ternura me ofreciste. Era pequeña. Bastaba con ahuecarla entre mis manos y acariciarla para que sintiera el calor en la raíz de su alma. En los días y meses siguientes, una sola palabra y sus hojas tiernas y verdes llenaron de luz las ventanas. Fue asombroso sentir cómo la planta que trajiste, envuelta en ternura, descubría el rincón más pequeño de la casa, y cómo la luna, a pesar de la calle estrecha y ruidosa, descendía roja del cielo y permanecía allí conversando hasta que ambas bostezaron y despertó el amanecer. Entonces, como una larga sombra extendiéndose por la casa, el otoño trajo el silencio que empequeñece el alma de las plantas. La luna, cansada de la calle estrecha y ruidosa, se alejó más hacia el cie...