Trás a nuvem,
por Fernando Carmino Marques
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Não sei porquê, mas decidi sair cedo. Não era que tivesse pensado fazer fosse o que fosse, nem que o ruído da rua me tivesse forçado a contemplar a madrugada, não! apenas decidi sair mais cedo. Talvez para escapar aquele outro eu que anda sempre comigo, me manda parar quando me apetece andar, me acena com a razão como se eu fosse a criança que distraidamente atravessa a rua movimentada da cidade, o cachorrinho de estimação que de suposta felicidade rebenta ao imaginar a recompensa por ser bem-comportado. Não sei porquê, mas decidi sair cedo. Quem sabe se para me convencer que poderia viver sem a sombra que arrasto comigo, aquela que me critica quando nada lhe peço, sussurra que não vale a pena pensar se a vida vale a pena e me aconselha a resignação como remédio pa...






