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Fernando Carmino Marques

Quem devo anunciar?, <br/> por Fernando Carmino Marques
148c, Fernando Carmino Marques

Quem devo anunciar?,
por Fernando Carmino Marques

leer en español     Entrei e uma voz sem timbre, talvez de quem estava à minha frente, ou de uma qualquer inteligência artificial, perguntou: “Quem devo anunciar”? Espantado e depois na dúvida, olhei para onde as palavras se escondem e perdido entre o verbo ser e o verbo estar fiquei sem saber se sou o que um dia julguei ser, ou se algum dia fui o que agora sou. “Quem devo anunciar”? ouvi de novo. De repente e já quase a responder, lembrei-me das muitas vezes que me confundiram com outro e de todos aqueles nomes que são parecidos ou iguais ao meu e achei que talvez fosse mais indicado dar-lhe o número de segurança social, contribuinte fiscal, telefone, ou até o número da matrícula do carro do meu vizinho do terceiro esquerdo que todos os dias me chateia só por existir. A voz sem timbre ...
¿A quién debo anunciar?,<br/>  por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

¿A quién debo anunciar?,
por Fernando Carmino Marques

ler em português      Entré y una voz apagada, tal vez de la persona que tenía delante, o de alguna inteligencia artificial, preguntó: “¿A quién debo anunciar?” Asombrado y luego en duda, miré hacia donde se escondían las palabras y perdido entre el verbo ser y el verbo estar, no sabía si era lo que alguna vez pensé que era, o si alguna vez fui lo que soy ahora. “¿A quién debería anunciar?” Lo escuché de nuevo. De repente, y casi listo para responder, recordé las muchas veces que me confundieron con otra persona y todos esos nombres parecidos o iguales al mío y pensé que tal vez sería más apropiado darles el número de seguro social, número de contribuyente de impuestos, número de teléfono o incluso la matrícula del auto de mi vecino del tercero a la izquierda, que me molesta todos los días...
O absurdo já não é o que era, <br/>por Fernando Carmino Marques
146b, Fernando Carmino Marques

O absurdo já não é o que era,
por Fernando Carmino Marques

leer en español       Há números que me dão arrepios e como era dia 7 preferi deixar para a manhã seguinte o que a mim mesmo tinha prometido (ainda bem que o mim-mesmo raramente se queixa das minhas promessas). Garanto: se não fosse dia 7 tinha finalmente escrito aquela carta que há muito ando para enviar. Sim, uma carta, uma daquelas cartas registradas, com aviso de recepção, que o carteiro entrega, quando ninguém espera. Já desisti de mandar emails porque regressam todos com a mesma indicação “email não reconhecido”. Sim, desta vez iria aconchegar uma a uma todas as palavras que dão cor às minhas ideias tais como são, e não como certos especialistas que desafiam a nossa paciência com palavras dissimuladas ou pintores de telas abstratas que nos deixam desconfiados, cara de idiota pasma...
El absurdo ya no es lo que era, <br/>por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

El absurdo ya no es lo que era,
por Fernando Carmino Marques

ler em português       Hay números que me ponen la piel de gallina y como era el día 7 preferí dejar lo que me había prometido para la mañana siguiente (menos mal que el mí-mismo pocas veces me queja de mis promesas). Garantizado: si no fuera por el día 7, por fin habría escrito esa carta que llevaba mucho tiempo queriendo enviar. Sí, una carta, de esas cartas certificadas, con acuse de recibo, que el cartero entrega cuando nadie las espera. Desistí de enviar correos electrónicos porque todos regresan con el mismo "correo electrónico no reconocido". Sí, esta vez acomodaría una a una todas las palabras que dan color a mis ideas tal como son, y no como ciertos expertos que desafían nuestra paciencia con palabras disfrazadas o pintores de lienzos abstractos que nos dejan suspicaces, frente...
Tarde à mesa do café,<br/> por Fernando Carmino Marques
145b, Fernando Carmino Marques

Tarde à mesa do café,
por Fernando Carmino Marques

leer en españolà Georgia (Tzina) Kalogirou      Inútil esperar: uma vez mais faltarias ao encontro. Eu sei que à hora em que os corpos abertos e suados se sentam à mesa do café, esperando os sinais ocultos da noite, Atenas transpira o sal abafado dos dias. Sei também que o local escolhido não seria do teu agrado nem de Georgia, ela que te despe as palavras e te expõe à crua claridade das ideias. Mas era tão perto da janela do meu quarto que ao ver-te eu poderia acenar-te e deixar que os meus olhos voltassem a ter a inocência da ilusão. Tenho por certo que me dirias que os deuses sofrem agora, insultados a cada momento, pela presença de bárbaros em sapatilhas Nike, exalando imitações baratas de perfumes lowcost, enquanto Tirésias, vendedor de romãs, dádiva à luz do sol, expõe a vida como el...
Tarde en la mesa del café,<br/> por Fernando Camino Marques
Fernando Carmino Marques

Tarde en la mesa del café,
por Fernando Camino Marques

ler em portuguêsa Georgia (Tzina) Kalogirou      No tiene sentido esperar: una vez más faltarías al encuentro. Sé que en el momento en que los cuerpos abiertos y sudorosos se sientan a la mesa del café, esperando las señales ocultas de la noche, Atenas suda la sal bochornosa de los días. Sé también que el lugar elegido no sería ni de tu agrado ni del de Georgia, ella que te despoja de tus palabras y te expone a la cruda claridad de las ideas. Pero quedaba tan cerca de la ventana de mi cuarto que cuando te viera podría saludarte y dejar que mis ojos volvieran a la inocencia de la ilusión. Seguro que me dirías que los dioses sufren ahora, insultados a cada instante, por la presencia de bárbaros con zapatillas Nike, exhalando imitaciones baratas de perfumes lowcost, mientras Tiresias, vendedo...
O tamanho dos meus sapatos, por Fernando Carmino Marques
143a, Fernando Carmino Marques

O tamanho dos meus sapatos, por Fernando Carmino Marques

Ao Gabriel Moralez leer en español       Quando a máscara me pediu que lhe apresentasse um resumo da minha previsível existência, respeitadora de tudo o que o inquestionável interesse coletivo impõe a cada um de nós, fiquei sem saber o que responder. Que poderia eu dizer que o computador não soubesse já? Eu o anónimo número de identificação fiscal, o resumo de tantos outros resumos, o limitado a uma existência resumida ao que nunca pensei poder resumir e vivo repetindo conceitos que nem em sonhos penso poder questionar, sim que poderia eu acrescentar que o computador não soubesse já? Pensei, com medo que alguma palavra me escapasse e confirmasse que o computador sabia mais sobre mim do que alguma vez julguei poder vir a saber. Torci e retorci a língua à procura da palavra subservi...
El tamaño de mis zapatos, por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

El tamaño de mis zapatos, por Fernando Carmino Marques

A Gabriel Moralez ler em português       Cuando la máscara me pidió que presentara un resumen de mi existencia predecible, respetuosa de todo lo que el incuestionable interés colectivo impone a cada uno de nosotros, no supe qué decir. ¿Qué podría decir que la computadora no supiera ya? Soy el número de identificación fiscal anónimo, el resumen de tantos otros resúmenes, limitado a una existencia resumida, a los que nunca pensé poder resumir y vivo repitiendo conceptos que ni en sueños creo poder cuestionar, sí, podría agregar. ¿Que la computadora no lo sabía ya? Pensé, temiendo que se me escapara alguna palabra que confirmara que la computadora sabía más sobre mí de lo que jamás pensé que podía saber. Retorcí y retorcí mi lengua buscando la palabra servil que rompiera brevemente l...
Enquanto luzir uma vela, por Fernando Carmino Marques
141a, Fernando Carmino Marques

Enquanto luzir uma vela, por Fernando Carmino Marques

leer en español        Por irrevogável decisão do Supremo Tribunal do Interesse Anónimo e Coletivo, fui condenado a vinte anos renováveis de mediocridade ativa e desterrado para uma pequena povoação onde a população, eternamente reconhecida a quem se pode agradecer pela apatia que o destino nos oferece, me olhava de lado, para poder torcer o nariz, e sorria como quem não gosta de sorrir. Com sorte e paciência acabei por encontrar outros que a seu tempo o mesmo tribunal, também por irrevogável decisão, não hesitara em condenar por terem ousado questionar os fundamentos do nosso bem-estar anónimo e coletivo. Alguns, com o tempo, já esquecido o motivo da sua condenação e renunciado ao que um dia julgaram poder vir a ser, olhavam-me com simpatia, disfarçando a pequena chama de uma vela que na ...
Mientras brilla una vela,<br/> por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

Mientras brilla una vela,
por Fernando Carmino Marques

ler em português      Por decisión irrevocable de la Corte Suprema de Anónimo y de Interés Colectivo, fui condenado a veinte años renovables de mediocridad activa y desterrado a un pequeño pueblo donde la población, eternamente reconocida como a quien se puede agradecer la apatía que el destino nos ofrece, me miraba de lado, para poder arrugar la nariz y sonreía como quien no le gusta sonreír. Con suerte y paciencia terminé encontrando otros que en su momento el mismo tribunal, también por decisión irrevocable, no dudó en condenar por haberse atrevido a cuestionar los fundamentos de nuestro bienestar anónimo y colectivo. Algunos, con el tiempo, habiendo olvidado el motivo de su condena y renunciando a lo que alguna vez pensaron que podría llegar a ser, me miraron con simpatía, disimulando ...
Estavas bem na foto, por Fernando Carmino Marques
138a, Fernando Carmino Marques

Estavas bem na foto, por Fernando Carmino Marques

leer en español       Estavas bem na fotografia, dizias. Ao longe, um fumo de nuvem voou e tu sorrias para a vida como um peixe através de um recipiente de vidro baço, sonhando diluir-se em algum recanto do mar. Onde era não sei, quando foi pouco importa. Estavas bem na fotografia, dizias. E nem a palidez das cores nem a indesejada réstia de sol que nesse preciso momento te obrigou a franzir os olhos conseguiam desviar a atenção do ponto fulcral, a pequena luz do teu sorriso.  O cabelo solto dava-te um ar rebelde, dizias, serpenteando melodias entre as palavras, imaginando a rebeldia que nunca ousaste, talvez por receares confrontar os sonhos, esses rebeldes predadores, e junto dos conformados que felizes espreitam a luz baça dos dias, como se ela fosse o único reflexo dourado, agradece...
Te veías bien en la foto, <br/> por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

Te veías bien en la foto,
por Fernando Carmino Marques

ler em português      Te veías bien en la foto, dijiste. A lo lejos volaba una nube de humo y sonreías a la vida como un pez a través de un recipiente de vidrio opaco, soñando con desaparecer en algún rincón del mar. ¿Dónde fue? no lo sé, ¿cuándo fue? no importa. Te veías bien en la foto, dijiste. Y ni la palidez de los colores ni el indeseado rayo de sol que en ese preciso momento te obligaba a entrecerrar los ojos pudieron desviar la atención del punto focal, la pequeña luz de tu sonrisa. Tu cabello suelto te daba una mirada rebelde, dijiste, serpenteando melodías entre las palabras, imaginando la rebelión que nunca te atreviste, tal vez porque tenías miedo de enfrentarte a tus sueños, a esos depredadores rebeldes, y junto a los conformistas que acechan felices la luz apagada del día, co...