Gente que Cuenta

Melhor sair de fininho, por Alfredo Behrens

Edward Sorel Atril press
Edward Sorel,
Oscar Wilde y Dorian Gray
Caricatura publicada en The New Yorker

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   É meio esquisito perceber que ainda está vivo quem achávamos desaparecido. Assim me ocorreu com Paul Anka, coitado. Levei um susto quando vi anunciado num shopping do Porto que este bom cavalheiro por aqui brevemente aportaria com a sua música. Inicialmente pensei que poderia ser algum filho como o mesmo nome. Mas, não, a foto no anúncio era de alguém que hoje teria a cara do Paul Anka se fosse o mesmo que na minha adolescência eu tinha por músico, se bem nem lembrasse ao certo que musica tocava.

Mas, Paul Anka não foi o único que retornou dos mortos da minha memória. Chubby Checker foi outro, deste lembro que foi o Rei do Twist. Kim Novak é outra, como assim também Dick van Dyke. Na certa os mais jovens não saberão de quem estou falando, mas, esses nomes eram os dos que tomavam banho com sabões Lux, como nove das dez estrelas o faziam; pelo menos era o que Lux dizia.

Não fui ao concerto do Paul Anka, mas preferiria que ele tivesse ido embora de fininho, para poupá-lo do vexame semelhante ao que sofreu o cara que nos filmes fazia de Tarzan.  Quando nosso herói da juventude já estava numa residência para velhos, um jornalista sacana, microfone em mão, pediu-lhe que voltasse a dar aquele grito que nos eletrizava quando jovens. O que se ouviu foi um miado de gatinho.

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Alfredo Behrens é doutor pela Universidade de Cambridge, leciona estratégia e assuntos interculturais para a escola de negócios FIA em São Paulo y para Harvard Business Education.
Alguns de seus livros podem ser adquiridos na Amazon.
ab@alfredobehrens.com

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