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O cavalo branco de Napoleão – Roberto Managau

Muitos se lembrarão daquela piada, daquela zombaria entre alunos do ensino fundamental, que pretendia pegar o interlocutor desprevenido: “De que cor era o cavalo branco do Napoleão?” E se aquele ficasse pensando na resposta, logo seria o motivo de chacota na turma!

Mas entrando na história equestre de Napoleão Bonaparte, de acordo com o historiador Jean Tulard, ele teve 129 cavalos durante sua épica.

Como não poderia deixar de ser, era toda uma comitiva que cuidava dos nobres animais à disposição do imperador: o haras, os tratadores, o comprador chamado Caulaincourt e os escudeiros que o acompanhavam em campanhas e batalhas. Eram animais de várias raças dos mais seletos lugares da época. E muitos destes equinos pereceram durante os combates.

Eram animais de várias raças dos mais seletos lugares da época. E muitos destes equinos pereceram durante os combates

Napoleão gostava de chamá-los por nomes que considerava digamos, poderosos, como Taurus, Tamerlan, Cerberus, Vizir (preservado empalhado em Os Inválidos em Paris) e outros com nomes de batalhas vencidas como Friedland, Austerlitz, Wagram ou Marengo (sobrevivente de Waterloo e com esqueleto preservado num museu militar em Inglaterra).

Obviamente, havia também nomes franceses, como Roitelet, Coquet e Desirée (lembrança de um amor de juventude).

Entre todos aqueles ilustres, havia um legítimo cavalo “criollo”, forte e resistente, fiel à sua raça, originário do Prata, cujo nome era…. Montevidéu!

É difícil saber o motivo de ter sido batizado com um nome tão distante geograficamente do entorno napoleônico, mas Montevidéu, um alazão castanho, participou da campanha da Espanha, sobreviveu à da Rússia e acompanhou Napoleão ao seu primeiro exílio na ilha de Elba em 1814, junto a 8 de seus amigos de raça, os prediletos.

Roberto Managau, uruguaio, reside em São Paulo desde 1982.
Dirige um espaço de arte uruguaia e é apaixonado por futebol,  guerras mundiais e outras curiosidades da história.
rj.managau@gmail.com

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