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O destino de uma carta – Roberto Managau

Rusia. Segunda Guerra Mundial
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Enquanto folheava os livros da biblioteca de seus falecidos pais, uma italiana de Mântua viu um velho envelope amarelado cair no chão. Este envelope continha uma carta. Ela havia sido escrita por um soldado italiano chamado Vincenzo Fugalli, em 23 de dezembro de 1942, no front russo, durante a Segunda Guerra Mundial. Foi uma bonita carta dirigida aos pais, quase em tom de despedida, dada a dramática situação vivida na época. Um mês depois, Fugalli morreu em combate com apenas vinte e dois anos.

Um mês depois, Fugalli morreu em combate
com apenas vinte e dois anos

É véspera de Natal, escrevo no abrigo ao meu lado, estão cantando a Pastorella e até esquecem as rações … lá fora está nevando forte … vê-se que aqui também deve nascer o Menino,  o ambiente é  propício e evocativo …

Olga Rosa Davini, a senhora que encontrou a carta, percebeu que ela nunca havia chegado ao seu destino e 79 anos se passaram …

Marcada pela memória de seu pai, um ex-combatente, ela fez campanha para encontrar alguém da família Fugalli, e receber em mãos, o registro emotivo de Vincenzo. A odisseia de Olga Davini começou com antigos documentos de soldados italianos do Regimento Alpino (ao qual Fugalli havia pertencido), logo em redes sociais relacionadas ao assunto, mas sempre em vão. A certa altura, ela conseguiu divulgar seu propósito em uma emissora de televisão e como que por milagre, foi visto por Serena Fugalli, que se surpreendeu ao ver a foto de seu tio, uniformizado a caráter !

O comovente encontro das duas senhoras aconteceu na cidade natal de Vincenzo, Barletta, região de Puglia, sul da Itália. A teimosia sentimental de Olga Davini nunca será esquecida pelos Fugalli.

Quantas cartas como essa nunca chegaram ao destino?

Roberto Managau, uruguaio, reside em São Paulo desde 1982.
Dirige um espaço de arte uruguaia e é apaixonado por futebol e da Segunda Guerra Mundial.
rj.managau@gmail.com
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