Gente que Cuenta

Tempos estranhos esses… – Ricardo Martins

Francisco Goya
El aquelarre, el arte de lo satánico y sombrío, 1819

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Vivíamos numa polaridade, que se poderia chamar de saudável.

Direita. Esquerda.  O sonho de avanço social. Acusações de corrupção. Luta pelos direitos trabalhistas.  Luta nos tribunais contra  irregularidades na administração pública.

Apesar das oposições,  estávamos avançando.  O jogo político estava funcionando. Havia a salutar alternância de poderes políticos.

Havia o claro. O escuro. E o onipresente cinza.

E o que temos agora?

Milicianos sendo assassinados no Rio de Janeiro. Policia militar exagerando nas suas ações de repressão em várias regiões do país .

Ações isoladas? Coincidências?

Descobrimos que ainda somos imaturos no jogo político. Que somos subservientes ao poder, seja ele qual for.

Descobrimos que a luta por direitos sociais ainda assusta aos poderes constituídos.

Há uma polarização mais radical. Mais inconsequente.

Chegamos ao ponto de cristãos chamarem um simples mortal de mito !!!

Vemos que todo esse jogo, essa dinâmica, se torna uma grande incerteza. Uma incerteza que pode nos levar a certeza da quebra desse jogo social e político.

Começamos a discutir sobre os candidatos  para as proximas eleições.  Mas no fundo, duvidamos se haverá ou não tais eleições.

Acrescente às dúvidas sobre as instituições criadas para preservar a democracia. Estarão elas maduras o suficiente para tal embate?

Essa simples dúvida assusta.

Historicamente, a passividade institucional sempre levou a grandes tragédias sociais e políticas.

Estaremos a beira de uma?

Ricardo Martins, jornalista e pesquisador, com trabalhos para a Editora Abril, TV Cultura e Fundação Roberto Marinho.

ricardomarts@yahoo.com.br

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