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Fernando Carmino Marques

Vou na estrada, por Fernando Carmino Marques
102c, Fernando Carmino Marques

Vou na estrada, por Fernando Carmino Marques

leer en españolVou na estrada. Como o carro nunca foi para mim senão um prolongamento dos pés todos os dias me surpreendo ao verificar como são incontáveis os que fazem do carro leque de pavão exibido diante de galinhas preocupadas com o brilho da plumagem e galos com o rubor da crista. São tantos e vistosos que quase me fazem esquecer os outros: os anónimos da existência.Vou na estrada. A mesma todos os dias: Casa-emprego. Ida e volta, sem desvio previsto. Um vento sereno, e por certo conivente, parece compreender que uma vez mais adie a irrevogável decisão que há muito tomei: deixar de fumar. É tão bom adiar as promessas que se fazem diante do espelho, quando impiedoso insiste em nos mostrar o que somos e o que talvez pudéssemos ter sido.Vou na estrada. Abro janela e sem querer recordo o...
En una tarde de verano, por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

En una tarde de verano, por Fernando Carmino Marques

ler em português... y estaba el Señor Silva, los consejos del Señor Silva, las ridiculeces de un esclavo de la mediocridad, la nada en el todo de la vida del Señor Silva. La mujer de Silva, la profesora Ana Silva, estúpidamente pretenciosa, incurablemente vanidosa. "¿Qué quieres decir realmente con vanidad?" me preguntó el psicólogo, como si él no supiera lo que significa la vanidad, o como si yo no supiera. Como no respondí y permanecí en silencio por un rato, el tipo pensó arrancarme del mutismo en el que me encierro cada vez que alguien parece cuestionar mis ideas, insistiendo en la pregunta: "¿Qué quieres decir realmente con vanidad?" Empezó a molestarme. De hecho, desde el principio me cabreó. Apenas me vio me hizo un montón de preguntas tontas que me dejaron sin respuesta: si me irri...
Para onde voam as palavras, por Fernando Carmino Marques
38b, Fernando Carmino Marques

Para onde voam as palavras, por Fernando Carmino Marques

leer en español De que serve a um escritor ser inspirado se não dominar a língua? Entendo dominar a língua torná-la maleável à nossa vontade. E se há uma língua maleável essa é a língua portuguesa de rígida que é. Pesa sobre ela uma longa tradição de gramáticos conformistas e escritores sem génio que mais parecem amanuenses de óculos espessos, mangas de alpaca e pingo no nariz. Pesa também sobre ela um cardápio de poetas, tecnocratas e burocratas inimigos do talento e da imaginação. A língua só conhece as fronteiras de quem nunca saiu de casa ou de quem espreita pela janela a vida dos outros. Ao contrário das ideias, as palavras uma vez ditas voam não se sabe para onde. É por isso que todas as línguas são universais basta a gente querer que elas o sejam. Que eu esteja em Zanzibar, em Moça...