Gente que Cuenta

O beijo – Fernando Carmino

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Constantin Brancusi
El beso, 1912

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Embora eu saiba que o beijo que me envias por SMS, quase sempre, abreviado (quando um beijo se quer longo), seja apenas uma palavra com asas, uma fórmula de cortesia familiar, um dizer sem pensar, eu fico suspenso no som silenciado, no efeito que o teu beijo teria se fosse real. Um beijo é sempre mais que um roçar de lábios na pele do outro. Há beijos que se desejam, outros que se evitam, uns de muitos mais, outros que são bem-educados e por isso frios, indesejáveis, há beijos sonoros como a palavra que exige uma pausa a separar as silabas, mas esses são sem deveras ser, e há beijos, beijos que nunca chegamos a dar até o nunca, com pausas, se acabar.

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Fernando Carmino Marques é doutor em letras pela Universidade de Paris IV – Sorbonne. Publicou vários estudos sobre temas e autores portugueses e brasileiros, dos séculos XVI, XIX e XX. Traduziu e editou o estudo inédito de Pierre Hourcade sobre a poesia de Fernando Pessoa, A Mais Incerta das Certezas, Itinerário Poético de Fernando Pessoa (Coleção “Ensaios” sobre Fernando Pessoa, Tinta-da-china, Lisboa, 2016).  Como ficcionista publicou Sobre outra coisa ainda (13 short stories) 2019 e Neste sonho que sou de mim, contos, 2021.

carmino@ipg.pt

 

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