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O pioneirismo de Christine de Pizan ou Cristina Pizzano – Roberto Managau

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Christine de Pizan (1364 – c. 1430), . Autor desconocido.Retrato realizado c.1413

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O recente drama épico de Ridley Scott, “O último duelo” (“The Last Duel” – IMDb, Netflix, 2021) me lembrou a personagem-título. Cristina Pizzano nasceu em Veneza em 1364 e emigrou ainda criança para Paris com a família, onde seu pai trabalharia na corte do rei Carlos V. Foi educada nesse ambiente tendo acesso à famosa Biblioteca Real da França, contextos que a introduziriam em diversas obras filosóficas, humanísticas, religiosas e socioculturais da época.

Casou muito jovem e teve três filhos, porém a morte inesperada de seu marido, causará uma mudança transcendente em sua vida. A jovem agora francesa por adoção, Christine de Pizan, deve encontrar os meios para sua sobrevivência e a de seus filhos. Influenciada por seu vasto conhecimento, algo raro para uma mulher e até mesmo uma viúva na Idade Média, começou a escrever poesias, além de não apenas editá-las, como publicá-las e ilustrá-las com desenhos de vários artistas. Esses escritos começam a torná-la um sucesso relativo na corte do rei francês, o que acabará por levá-la a ser considerada a primeira escritora profissional do Ocidente.

A grande notoriedade será alcançada com seu manuscrito anti-misógino, em resposta a um famoso e popular poema da época, o “Roman de la Rose“, uma sátira ao amor cortês e “a negatividade das mulheres”. A partir de 1401, Christine edita uma série de manuscritos criticando a misoginia e elevando o papel das mulheres na sociedade. Dentro dessa conjuntura, repercutem suas obras Livro da Cidade das Mulheres e Livro das três Virtudes. De Pizan redefine versões e estabelece com sua obra uma verdadeira enciclopédia de mitos femininos.

O ambiente do Reino da França é bastante agitado e problemático pois estava em plena Guerra dos 100 Anos, e em pleno Cisma de Ocidente, quando dois Papas disputam o poder da Igreja Católica, um em Avignon e outro em Roma. Como resultado desse ambiente hostil, Christine de Pizan se retira para um convento em Poissy. Falece em 1431, aos 67 anos. Ainda hoje, é considerada a precursora do feminismo moderno.

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Roberto Managau uruguaio, reside em São Paulo desde 1982.
Dirige um espaço de arte uruguaia e é apaixonado por futebol,  guerras mundiais e outras curiosidades da história.
rj.managau@gmail.com

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