Gente que Cuenta

Fugaz Begonha, por Alfredo Behrens

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Numa feira em Londres em fins dos setenta, disse-lhe que se chamava Begoña, que era das Astúrias e que estava em Londres para afinar o inglês. Ela tinha o tipo de uma jovem convencional, com pérolas nas orelhas e tudo, mas sorria bonito e ele a convidou para visitá-lo em Alfredo Behrens Atril PressCambridge. Tiveram um romance intenso, mas fugaz, porque logo depois ela voltou para as Astúrias. Com o tempo, uma carta chegou à sua faculdade em Cambridge. Era uma bela carta romântica. Ele gostou de recebê-la e sabia que a responderia, então guardou o envelope no qual tinha visto o remetente. Mas quando foi consultá-lo, percebeu que era indecifrável. Fora das Astúrias e da Espanha, nem mesmo a cidade era percebida com clareza, muito menos a rua onde morava. Ele não pôde responder e essa foi a última carta que Begoña lhe escreveu. Como não tinham conhecidos em comum, não havia a quem perguntar. Ele contou a um amigo seu desespero, mas ele lhe disse que nas Astúrias é comum que as filhas recebam o nome de uma flor, que ele não conseguiria encontrá-la apenas com seu nome. Foi assim que este bom homem seguiu com a sua vida, casou-se e teve filhas que por sua vez lhe deram netos. Certamente Begoña terá feito o mesmo. No entanto, ele nunca a esqueceu, ao ponto de que, quando conheceu um casal asturiano há alguns dias, contou-lhes essa história. “Você deveria escrever esta historia” disse a mulher, e acrescentou: “Pena que tenha tantas Begoñas”. Mas para ele Begoña sempre foi única.

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Alfredo Behrens  é doutor pela Universidade de Cambridge, leciona Liderança para as escolas de negócios da FIA em São Paulo.
Alguns de seus livros podem ser adquiridos na Amazon.
ab@alfredobehrens.com

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