Gente que Cuenta

 “Será arte tudo o que eu disser que é arte” … – Roberto Managau

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Mauricio Cattlelan
Comediante, 2019

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… já dizia Marcel Duchamp em 1917 quando apresentou um urinol, sua obra chamada “Fonte” no Salão da Sociedade Nova Yorkina de Artistas Independentes. O conceito grego da estética já tinha sido deixado de lado há algum tempo e o urinol de cor branca (comme il faut) causou enormes discussões e reflexões sobre como um objeto ímpio podia ser considerado “arte”. A atividade plástico-artística é uma corrente cuja amplitude, riqueza, mas também vulnerabilidade, estão além da compreensão de muitos de nós. Mas se por exemplo, uma das disciplinas clássicas como a pintura desaparecesse, não se apagaria um estímulo de sensibilidade no imperito observador ou no versado apreciador ?

Hoje temos obras controvertidas como as dos britânicos Damien Hirst e seus animais mortos e os retratos de sangue de Marc Quinn ou a censurada “Domestikator” do holandês Joep van Lieshout.  O italiano Maurizio Catellan deve ser citado com a banana presa na parede com fita adesiva, a obra “Comediante”. Recentemente, o comprador da obra “Garota com balão”, do incógnito (literalmente) Banksy viu sua tela pulverizar-se por um mecanismo escondido na mesma. Nos anos ´50, o artista pop americano Robert Rauschenberg convencia seu amigo, o abstracionista holandês Willem de Kooning a apagar um desenho num papel e emoldurá-lo, era “o vazio da perda artística”. Nos ´60, o italiano Piero Manzoni espantava os críticos de arte presentando a obra de um “balão cheio com a sua própria respiração” sem falar daquela … escatológica.

Mas já quando as instalações eram inimagináveis, no século XVIII, o quadro “A morte de Marat”, do francês Jacques-Louis David, comovia por retratar um assassinato em plena Revolução Francesa. No século seguinte, Francisco Goya polemizava com o impactante “Fuzilamento de 3 de maio de 1808 “ ou ainda com o nada civilizado, “Saturno devorando um filho”. “A origem do mundo”, do francês Gustave Courbet, ainda perturba a moralidade e permanece como um dos quadros mais questionáveis da história da arte. O icónico “Guernica” de Picasso é um manifesto de denúncia contra a violência. No entanto, estas pinturas ainda que dignas de debates não fugiam de uma disciplina clássica e milenar.

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Roberto Managau uruguaio, reside em São Paulo desde 1982.
Dirige um espaço de arte uruguaia e é apaixonado por futebol,  guerras mundiais e outras curiosidades da história.
rj.managau@gmail.com

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