Gente que Cuenta

Classificados Selecionados, por Pedro Tebyriçá

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Teléfono www.atril .press
Teléfono.
Richard Lindner, 1966

Aqui no Brasil a telefonia já pertenceu ao Estado, serviço então escasso, quem possuía uma linha tinha de declará-la no Imposto de Renda, veja só, como se fosse um valioso bem. Quando nos casamos, eu e minha mulher, entre outras providências  compramos um telefone via classificados (tinha gente que especulava comprando e vendendo linhas). Até aí tudo bem, resolvido o nosso problema de comunicação. O problema real ocorria invariavelmente ao anoitecer: o desgraçado do aparelho não parava de tocar. Acabamos por descobrir que o mesmo pertencera antes a um bordel. Tinha uma tal de Vânia que era a mais solicitada, sabe lá Deus qual seria a sua especialidade. A gente, em início de vida, com aquelas dificuldades todas…  deu até vontade de aproveitar a oportunidade e montar um negócio (antes de casar eu tivera uma boa experiência no ramo, mas, digamos, a minha experiência era toda voltada para o outro lado do balcão). Levou uns bons seis meses  para o aparelho silenciar, mas às vezes, durante ainda um longo tempo, no meio da noite uma voz solitária clamava pela Vânia.

Grande Vânia!

Pedro Tebyriçá 1
Nascido na cidade do Rio de Janeiro em 1955, formou-se em economia, atualmente é servidor público federal, dedicando-se paralelamente à literatura e as artes plásticas, já tendo realizado exposições no Brasil e no exterior. Começou a escrever aos cinquenta anos, inclinando-se mais para o texto curto, notadamente contos. Em 2019 lançou o Contos (nem tanto) Contidos pela Editora 7 Letras disponível para venda no site da editora (www.7letras.com.br).
ptebyrica@gmail.com

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