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Alfredo Behrens

Visões perfumadas, por Alfredo Behrens
148b, Alfredo Behrens

Visões perfumadas, por Alfredo Behrens

leer en español       Eu vi o Mandela, ela me disse ontem. Brincando lhe perguntei se foi no ónibus, mas não, foi na torrada dela. Ela vê rostos em toda a parte, para não dizer onde não há nenhum. Mas ela não está sozinha e, como todo mundo, ela vê rostos, mas não notas. Esses dias, recebi uma foto na Internet de duas mulheres comendo pizza. A mensagem dizia que, se você olhasse a imagem rapidamente, ou com os olhos apertados, ou de cabeça baixo, poderia ver o Keanu Reeves. Até eu, que nunca vejo nada, o vi. Parece que estamos hiper preparados para ver rostos porque, como somos tribais, precisamos distinguir rapidamente o amigo do inimigo. Essa seria a função da amígdala cerebral, a brecha reptiliana, como é chamada. Parece até que até Carl Sagan disse que o reconhecimento de rostos...
Visiones perfumadas,<br/>  por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

Visiones perfumadas,
por Alfredo Behrens

ler em português      Vi a Mandela, me dijo ayer. Jocosamente le pregunté si lo había visto en el ómnibus, pero no, lo había visto en su tostada.Ella ve caras por todas partes, por no decir también donde no las hay. Pero no está sola, y como todos, ven caras, pero no billetes de banco. En estos días recibí por Internet la imagen de dos mujeres comiendo pizza. El mensaje decía que, si uno miraba la imagen rápidamente, o con los ojos entrecerrados, o de cabeza para abajo, uno podría ver a Keanu Reeves. Hasta yo, que nunca veo nada, lo vi.Parece que estamos hiper preparados para ver caras porque, siendo tribales, necesitamos rápidamente distinguir a los amigos de los enemigos. Esa sería la función de la amígdala cerebral, resquicio reptiliano que le dicen. Inclusive parece que Carl Sagan dijo...
Sem luz na primavera,<br/> por Alfredo Behrens
147c, Alfredo Behrens

Sem luz na primavera,
por Alfredo Behrens

leer en español       Quando morava no Rio de Janeiro, naquela terra abençoada por Deus, um amigo francês me disse que na França a fragilidade de uma pessoa podia lhe impedir de sobreviver o próximo inverno. Me era difícil no Rio imaginar os rigores de um inverno. Agora moro em Portugal, com invernos nem tão rigorosos, mas que assustam mais um pouco que os cariocas. Foi assim que refleti sobre as condições de um sujeito de sorriso generoso ao avistá-lo passado este último inverno. Era um sujeito cujo sorriso e vitalidade me fazia bem. Ainda sou imigrante nesta terra cálida, e ser reconhecido na rua me faz bem. Não interessa tanto quem me cumprimente, mas ao ser avistado me faz sentir vivo, que pertenço. Era assim que me sentia ao encontrar este sujeito encantador, um pouco louco tal...
Sin luz en primavera,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

Sin luz en primavera,
por Alfredo Behrens

ler em português      Cuando vivía en Río de Janeiro, en esa tierra bendita por Dios, un amigo francés me dijo que en Francia la fragilidad de una persona podía impedirle sobrevivir al invierno que se avecinaba. En Río me resultaba difícil imaginar los rigores de un invierno.Pero ahora vivo en Portugal, con inviernos no tan crudos pero un poco más amenazadores que los de Río. Por eso reflexioné sobre el estado de un tipo de sonrisa generosa cuando lo vi ya pasado el invierno.Era un hombre cuya sonrisa y vitalidad me hicieron bien. Sigo siendo un inmigrante en esta tierra cálida, y que me reconozcan por la calle me hace bien. No importa tanto quién me salude, pero que me reconozcan me hace sentir vivo, que pertenezco aquí. Así me sentía cuando me saludaba este tipo encantador, ¿un poco loco...
Potain, Putain!, <br/> por Alfredo Behrens (port)
145c, Alfredo Behrens

Potain, Putain!,
por Alfredo Behrens (port)

leer en español      Perto de casa estão construindo um prédio alto. Um carinha numa gávea lá no alto opera um guindaste arranha-céus com um braço que gira incessantemente. Potain é o nome da empresa do guindaste, e assim esta escrito nela, lá no alto. Mas, Putain! é o que eu gritaria se tivesse de trabalhar nessa gávea!Enquanto observava a operação do guindaste, bebia uma macieira no muquifo do lado de casa, e refletia com meus botões sobre o privilégio de poder escolher o tipo de trabalho que fazemos. Tem quem não pode escolher. Tal vez seja o caso do carinha na gaiola do guindaste, que no mínimo desenvolverá um problema de retenção urinária, se não o tem já.Mas na minha reflexão fui mais longe, e mais atrás. Na Ilha Grande, um paraíso tropical, fiz amizade com um velho pescador que um d...
Potain, Putain!, <br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

Potain, Putain!,
por Alfredo Behrens

ler em português      Cerca de mi casa están construyendo un edificio alto. Un tipo en una jaula en lo alto maneja una grúa de rascacielos con un brazo que gira sin cesar. Potain es el nombre de la empresa de la grúa, y eso es lo que pone ahí arriba. Pero Putain, ¡eso es lo que gritaría yo si tuviera que trabajar en esa jaula!Mientras veía trabajar a la grúa, me tomaba un cognac en el bar de al lado de mi casa y pensaba para mis adentros en el privilegio de poder elegir el tipo de trabajo que hacemos. Hay quienes no pueden elegir. Tal vez sea el caso del tipo en la jaula de la grúa, que seguramente desarrollará un problema de retención urinaria, si no lo ha hecho ya.Pero en mi reflexión fui cada vez más atrás. En Ilha Grande, un paraíso tropical, me hice amigo de un viejo pescador que un d...
Recordações incertas,<br/> por Alfredo Behrens
144c, Alfredo Behrens

Recordações incertas,
por Alfredo Behrens

 leer en español      A memória é uma coisa muito séria. Eu sou do tempo em que se acreditava no que estava escrito. E aconteceu que um dia li num jornal que uma mãe que estava a cuidar de um filho em coma no hospital ouviu-o dizer que queria uma Pepsi. A pobre mãe nem sequer teve tempo de chamar o médico, correu freneticamente para a máquina de venda automática e voltou com a Pepsi. Mas o filho já tinha voltado ao seu estado de coma. A história é tão macabra que nem a Pepsi a quis utilizar na sua publicidade. Nem vi nada semelhante do lado da Coke.Mas a verdade é que, atualmente, sentimo-nos um pouco idiotas por acreditar no que está escrito. Em parte, porque nos chega pela Internet como um vendaval de palavras que o vento leva logo consigo. Tem vezes que leio algo na Internet e não consi...
Entre recuerdos y engaños, <br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

Entre recuerdos y engaños,
por Alfredo Behrens

ler em português      La memoria es una cosa muy seria. Yo soy de la época en que se creía lo que estaba escrito. Y sucedió que un día leí en un periódico que una madre que cuidaba a su hijo en coma en el hospital le oyó decir que quería una Pepsi. La pobre madre ni siquiera tuvo tiempo de llamar al médico, corrió frenéticamente a la máquina expendedora y volvió con la Pepsi. Pero su hijo ya había vuelto a su estado comatoso. La historia es tan macabra que ni siquiera Pepsi quiso utilizarla en su publicidad. Tampoco he visto nada parecido por parte de Coca-Cola.Pero lo cierto es que hoy en día nos sentimos un poco idiotas por creer en lo que está escrito. En parte porque nos llega por Internet como un vendaval de palabras que el viento se lleva. A veces leo algo en Internet y ya no lo encu...
Uma latrina e um mictório,<br>por Alfredo Behrens
142c, Alfredo Behrens

Uma latrina e um mictório,
por Alfredo Behrens

 leer en español      Hoje encontrei uma latrina em um lugar diferente. Estava na rua, em frente a um bar. Não havia ninguém sentado nela. Ela simplesmente estava lá. Se não fosse pelo fato de Duchamp ter morrido há décadas, eu poderia até pensar que era uma das suas provocações, como o mictório que ele chamou de Fonte.Mas a verdade é que chamar um mictório de Fonte era mais engraçado. Talvez esse não devesse ser o motivo pelo qual Duchamp queria ser lembrado, mas ele não escapou disso. Seu talento ia além de sua capacidade de brincar. Mas sua capacidade de questionar, criticar e ridicularizar o status quo, como no caso do mictório que ele chamou de Fonte, é o motivo pelo qual nos lembramos dele.Poucos artistas teriam a inteligência de Duchamp para minar as convenções. Não se tratava apena...
Una letrina y un urinal,<br>por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

Una letrina y un urinal,
por Alfredo Behrens

 leer en portuguêsHoy encontré una letrina en un lugar diferente. Estaba en la calle, frente a un bar. No tenía a nadie sentado sobre ella. Simplemente estaba ahí. Si no fuese porque Duchamp murió hace décadas podría hasta haber pensado que fuese de sus provocaciones, como aquella del urinal que llamó "Fuente".Pero la verdad es que llamar un urinal de fuente tenía más gracia. Tal vez no debería ser la razón por la cual Duchamp quisiera ser recordado, pero no se escapó de eso. Su talento iba más allá de su capacidad para la broma. Pero su habilidad para cuestionar, criticar y ridiculizar el status quo, como en el caso del urinal que llamó de Fuente, es la razón por la que le recordamos.Pocos artistas tendrían el cerebro de Duchamp para socavar lo convencional. No fue solo presentar al urina...
Emigração e pertencimento,<br/> por Alfredo Behrens
141b, Alfredo Behrens

Emigração e pertencimento,
por Alfredo Behrens

leer en español      Lembro-me claramente do ursinho de pelúcia que sempre tinha comigo quando era pequeno. Eu não era a única criança que tinha um, e nossa gentil professora colocava todos eles em uma prateleira. Eu me sentia confortado ao ver meu ursinho e saber que ele estava lá, como um pequeno guardião da minha paz de espírito.Por fim, entendi que esse ursinho era meu companheiro de transição, algo que muitas crianças têm até começarem a se tornar um pouco independentes de seus pais. Agora, tudo o que resta são as fotos da minha infância com aquele ursinho de pelúcia amado. Será que substituímos esses objetos de transição por outros menos óbvios?Hoje, nossos pontos de referência não são os ursinhos de pelúcia, mas grupos de pessoas ao nosso redor com os quais nos comparamos e nos orie...
Emigración y Pertenencia,<br/> por Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

Emigración y Pertenencia,
por Alfredo Behrens

ler em português      Recuerdo claramente el osito de peluche que siempre llevaba conmigo cuando era pequeño. No era el único niño que tenía un juguete de esos, y nuestra amable maestra los colocaba a todos en una estantería. Me sentía reconfortado al ver mi osito y saber que estaba allí, como un pequeño guardián de mi tranquilidad.Con el tiempo entendí que ese osito era mi compañero de transición, algo que muchos niños tienen hasta que comienzan a independizarse un poco de sus padres. Ahora, solo me quedan las fotos de mi infancia con ese querido osito. ¿Acaso habremos reemplazado esos objetos de transición con otros menos evidentes?Hoy en día, nuestros puntos de referencia no son ositos de peluche, sino grupos de personas que nos rodean y con las que nos comparamos y orientamos, incluso ...