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Fernando Carmino Marques

Estavas bem na foto, por Fernando Carmino Marques
138a, Fernando Carmino Marques

Estavas bem na foto, por Fernando Carmino Marques

leer en español       Estavas bem na fotografia, dizias. Ao longe, um fumo de nuvem voou e tu sorrias para a vida como um peixe através de um recipiente de vidro baço, sonhando diluir-se em algum recanto do mar. Onde era não sei, quando foi pouco importa. Estavas bem na fotografia, dizias. E nem a palidez das cores nem a indesejada réstia de sol que nesse preciso momento te obrigou a franzir os olhos conseguiam desviar a atenção do ponto fulcral, a pequena luz do teu sorriso.  O cabelo solto dava-te um ar rebelde, dizias, serpenteando melodias entre as palavras, imaginando a rebeldia que nunca ousaste, talvez por receares confrontar os sonhos, esses rebeldes predadores, e junto dos conformados que felizes espreitam a luz baça dos dias, como se ela fosse o único reflexo dourado, agradecem ...
Te veías bien en la foto, <br/> por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

Te veías bien en la foto,
por Fernando Carmino Marques

ler em português      Te veías bien en la foto, dijiste. A lo lejos volaba una nube de humo y sonreías a la vida como un pez a través de un recipiente de vidrio opaco, soñando con desaparecer en algún rincón del mar. ¿Dónde fue? no lo sé, ¿cuándo fue? no importa. Te veías bien en la foto, dijiste. Y ni la palidez de los colores ni el indeseado rayo de sol que en ese preciso momento te obligaba a entrecerrar los ojos pudieron desviar la atención del punto focal, la pequeña luz de tu sonrisa. Tu cabello suelto te daba una mirada rebelde, dijiste, serpenteando melodías entre las palabras, imaginando la rebelión que nunca te atreviste, tal vez porque tenías miedo de enfrentarte a tus sueños, a esos depredadores rebeldes, y junto a los conformistas que acechan felices la luz apagada del día, co...
Gotas deslizando, por Fernando Carmino Marques
135a, Fernando Carmino Marques

Gotas deslizando, por Fernando Carmino Marques

leer en español        Quando reparei que chovia e pelo vidro da janela deslizavam gotas, orvalho tremeluzindo ao despertar da madrugada, aproximei-me e nelas me perdi. Ah, pudesse a minha vida, como elas, brilhar nem que fosse um instante, tão breve que nem chegasse a ser um instante, e pudesse eu deslizar pela vida com a serenidade de quem sabe ser o nada que ao instante se oferece, talvez deixasse de procurar o instante onde não há instante para além do instante. Chovia e as gotas deslizavam pelo vidro da janela. E daquele instante esquecido, perdido no que podia pensar, deixei passar o instante em que lentamente tremeluzindo as gotas deslizavam pelo vidro da janela de onde me vem a claridade do dia. do mesmo autor Compartir en   Quiero patrocinar...
Gotas deslizando,<br/> por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

Gotas deslizando,
por Fernando Carmino Marques

ler em português Cuando noté que estaba lloviendo y las gotas se deslizaban por el cristal de la ventana, el rocío brillaba tras el amanecer, me acerqué y me perdí en ellas. Ah, si mi vida, como ellas, pudiera brillar aunque fuera por un instante, tan breve que ni siquiera llegase a ser un instante, y si pudiera deslizarme por la vida con la serenidad de quien sabe ser la nada que se ofrece en este momento, tal vez dejaría de buscar el instante donde no hay instante más allá del instante. Llovía y las gotas resbalaban por el cristal de la ventana. Y desde ese momento olvidado, perdido en lo que podía pensar, dejé pasar el momento en que las gotas, brillando lentamente, se deslizaron por el cristal de la ventana por la que llegaba hasta mí la claridad del día. del mismo autor Com...
Sem terra á vista, por Fernando Carmino Marques
133a, Fernando Carmino Marques

Sem terra á vista, por Fernando Carmino Marques

leer en español       Há seis dias que navegávamos sem terra à vista. Lançando-nos de um lado para o outro o mar parecia querer engolir tudo o que nele havia. Com a noite acalmou e apesar do frio que me envolvia os pés adormeci. Ao primeiro raio do sol do sétimo dia avistei um pequeno ilhéu, pronúncio da ilha que o Aurora Infinita prometia a quem nele tinha embarcado. Pelo convés já o rebuliço ia alto, quando o capitão mandou baixar a ancora. Encostado à amurada, onde todos ansiavam pelo que não viam, reparei que a canoa tinha sido lançada ao mar sem por mim esperar. Na ilusão de encontrar na ilha alguma coisa que valesse o mergulho, saltei, sem saber nadar. À distância, arreganhando os dentes, barracudas e tubarões ignoravam-me. Só o peixe miúdo, irritante e sem ideal, frustrado pelos de...
Sin tierra a la vista,<br/>  por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

Sin tierra a la vista,
por Fernando Carmino Marques

ler em português      Llevábamos seis días navegando sin tierra a la vista. Lanzándonos de un lado a otro, el mar parecía querer tragarse todo lo que había en él. Con la noche se calmó y a pesar del frío que envolvía mis pies, me quedé dormido. Al primer rayo de sol del séptimo día vi un pequeño islote, señal de la isla que la Aurora Infinita prometía a quienes la habían abordado. Ya había mucho alboroto en cubierta cuando el capitán ordenó echar el ancla. Apoyado en la barandilla, donde todos esperaban con ansias lo que no podían ver, noté que la canoa había sido arrojada al mar sin esperarme. Con la ilusión de encontrar en la isla algo en lo que valiera la pena sumergirse, salté, sin saber nadar. A lo lejos, enseñando los dientes, barracudas y tiburones me ignoraban. Solo el pez pequeño,...
Ah, sim! Minas… por Fernando Carmino Marques
131a, Fernando Carmino Marques

Ah, sim! Minas… por Fernando Carmino Marques

leer en español (ao André Carneiro Ramos) De repente a estrada afunilou e os muitos quilómetros passaram a ser léguas. Como se isso não bastasse, a chuva intensa obrigou a noite a chegar mais cedo. Pela janela vi que nada se podia ver. À medida que as horas se arrastavam crescia-me no estômago a recordação de uma sopa mineira que certa noite me reconfortou do cansaço e da indolência dos homens. O longo velório ambulante deixava rastros de fumo na paisagem morna e serena. Ali ninguém falava ou olhava para ninguém. Só o compulsivo deslizar de polegares e indicadores sobre os smartphones se distinguia.  Vinha da cidade onde nem a fé do santo padroeiro consegue dar alento aos que rastejam moles na sua resignação. Não trazia nada e nada tinha para levar. Perdido, entre palavras que descreve...
Pronto me arrepentí,<br/> por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

Pronto me arrepentí,
por Fernando Carmino Marques

ler em português      Compré un libro hoy y de inmediato me arrepentí. La portada era tan hermosa que me imaginaba encontrar en esas páginas un poco de la vida que nunca viví. Fueron palabras bien organizadas de doctores en ciencias sin nombre y vidas envidiadas, ganadores de premios infinitamente prestigiosos, dignos de fotografías y artículos en los periódicos, con miles y miles de seguidores en las redes sociales. Como no entendía nada, intenté dejarlo en la terraza del café donde me había preparado de antemano para esparcir las palabras sobre mí, como quien disfruta el placer de frotar en antebrazo una pequeña muestra gratuita del perfume que sabe que no puede comprar.En la mesa de al lado estaban hablando. En un gesto rápido, el joven me llamó la atención sobre el libro que pensaba de...
A sessão fotográfica, por Fernando Carmino Marques
120a, Fernando Carmino Marques

A sessão fotográfica, por Fernando Carmino Marques

leer en español      Pergunta-me quem sou, mas sentindo que não sou aquele que respondeu, exige que eu seja outro. Em seguida, pede que me esqueça para poder ser eu, mas como nenhum deles é aquele que a objetiva fotográfica sabe poder revelar quer que eu seja aquele que ainda se não mostrou. Hesito, mas nem de frente nem de perfil consigo reconhecer naquela cara a cara que julgo ser eu. Assusta-me aquele olhar que parece acusar-me de querer mostrar o que se não pode revelar.Na dúvida, estico os ombros. Disfarçadamente ajeito a cabelo. Limpo o suor que pouco a pouco me invade e sorrio não sei porquê nem para quem. Como um fruto, cujo coração se esconde no interior da casca, a sessão fotográfica transforma-se numa sobreposição de máscaras em que cada uma parece um exercício de descoberta do ...
La sesión fotográfica,<br>por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

La sesión fotográfica,
por Fernando Carmino Marques

ler em português      Me pregunta quién soy, pero al sentir que no soy yo quien respondió, exige que sea otra persona. Luego me pide que me olvide para poder ser yo, pero como ninguno de ellos es el que el lente fotográfico sabe revelar, quiere que sea yo el que aún no se ha mostrado. Dudo, pero ni de frente ni de perfil logro reconocer el rostro en ese rostro que creo que soy yo. Me asusta esa mirada que parece acusarme de querer mostrar lo que no se puede revelar.En caso de duda, estiro los hombros. Me arreglo el pelo subrepticiamente. Me limpio el sudor que poco a poco me invade y sonrío, no sé por qué ni a quién. Como una fruta, cuyo corazón se esconde dentro de la piel, la sesión de fotos se convierte en una superposición de máscaras en las que cada una parece ser un ejercicio de desc...
A ponte,<br/> por Fernando Carmino Marques
118b, Fernando Carmino Marques

A ponte,
por Fernando Carmino Marques

leer en español      Passo a ponte esperando deixar para trás o passado e uma vez mais me engano. É tão bom ver a realidade como quero e não como ela é, quando é e se é, porque a realidade é tão irreal como outra coisa qualquer, digo para mim depois de verificar que o passado também atravessou a ponte. Não é que não tenha vontade de chegar ao outro lado da ponte e acenar para o estranho que fui, quando o fui e se é que o fui. Mas, como um par de botas pesadas pela chuva e pela lama, trago o passado comigo à espera de que ele se converta em sol e a lama em poeira desfeita pelo caminho. São tantas as vezes que dou por mim a pensar se alguma vez conseguirei realmente passar a ponte que chego a duvidar se o meu futuro não é já o passado do meu presente.  As viagens que um dia farei, as prometi...
Un hilito de luz, por Fernando Carmino Marques
Fernando Carmino Marques

Un hilito de luz, por Fernando Carmino Marques

ler em portuguêsEs cierto que hay momentos en los que una metáfora vale más que mil imágenes, pero hay otros en los que una imagen vale más que todas las palabras y esa es, en general, el mayor logro del cine. Y cuando a la emoción creada por la trama se suma el poder evocador de la imagen, la catarsis sentida hacia los personajes, la película perdura indefinidamente en nuestra conciencia, acabando por ocupar un lugar reservado en esa enciclopedia personal llamada memoria.Son tantas las películas que nos acompañan en nuestro camino que cuando tratamos de distinguir unas de otras inmediatamente nos damos cuenta de que nos estamos equivocando, porque sabemos que a cada etapa de nuestro camino le corresponde una película, un título, una melodía, un escenario que nos llama, y que la preferenci...