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Alfredo Behrens

Penélope e o teste do arco – Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

Penélope e o teste do arco – Alfredo Behrens

Quando estudante de doutoramento em Cambridge, há umas quatro décadas, me tocou uma mesa no famoso Laboratório Cavendish. Em uma encruzilhada de corredores eu vi, em um grupo conversando, um ruivo alto e magro que me chamou a atenção pelo seu meneio feminino ao falar. Poucos meses depois, eu poderia ter jurado que o vi novamente, desta vez num pub, com maquiagem e longos cabelos soltos. Tive até a impressão de que ele desviou o olhar quando percebeu que o tinha visto. Mas quem sabe não fosse a mesma pessoa, e que, como seu meneio, foi apenas uma impressão passageira. Só que, quando voltei das férias, encontrei na minha mesa um memorando do laboratório afirmando que o Sr. John Fulano de Tal de agora em diante devia ser chamado pelo nome Srta. Joan Fulana de Tal. Um colega de escritório me c...
Princesa tupinambá – Alfredo Behrens
Alfredo Behrens, 2c

Princesa tupinambá – Alfredo Behrens

leer en español Acabado de chegar de Montevidéu ao Rio de Janeiro, não entendia nada. Literalmente nada. Não era só o português que não entendia. Cheguei no Carnaval e caí numa procissão da Banda de Ipanema. Chamo de procissão porque não sabia que nome dar aos dois mil que dançavam atrás de uma banda. A metade quase não tinha roupas e ninguém parecia se importar com isso. Entre um empurrão e outro avistei uma meio loira. Aproximei-me, sorrimos e conversamos alguma coisa. Ele era de São Paulo e estava no Rio para o primeiro Carnaval dela. Mal consegui pegar o endereço do lugar onde ela estava hospedada quando outra me agarrou e me deu um beijo que me tirou o fôlego. Quando me virei para a loira, ela havia sumido. Continuei dançando porque estava pegando gosto da coisa e o endereço da...
Cats – Alfredo Behrens
Alfredo Behrens, Edicao4

Cats – Alfredo Behrens

Me alfabetizaron en inglés. Me costó mucho. Me mostraban el dibujo de un gato y me decían que no era un gato sino un cat. Su nombre empezaba con c, insistían, y hacían el sonido de la c, pero para mi debía ser el de la g, que no la pronunciaban como je sino como ge, de gota. Válgame, ¡Dios, como iba uno a aprender! Y así fue como, a los tropezones, que me enseñaron a escribir cat mientras me mostraban un gato. Yo, por agradar nomás, repetía todo rapidito como que para salirme de la cosa. Pero hete aquí que vine saber que Guillermo Jaim Etcheverry, ex rector de la Universidad de Buenos Aires, dijo que al concatenar las ideas escribiéndolas a mano uno se expresaría con más armonía que al teclear en un computador. O sea, habría algo en el proceso de escribir a mano que nos ayudaría a escribi...