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Alfredo Behrens

Nicolas não quis – Alfredo Behrens
25c, Alfredo Behrens

Nicolas não quis – Alfredo Behrens

leer en español Nicolas era um bom sujeito, apesar de ser policial. Ele frequentava um bar onde jogava bilhar e bebia com os amigos.  Também é verdade que as vezes ele bebia demais, mas era rara a vez que ele ficava violento, embora teve uma vez que ele deu uns socos em alguns dos presentes. Aquilo foi difícil, mas não passou disso, e foi uma vez só. Mas a Maria não gostava de como Nicolas chegava em casa trôpego, às vezes gritando, outras insultando. Não eram muitas, é verdade, mas era muito desagradável. Mas da última vez Nicolas chegou muito agressivo e chegou a dar socos na Maria.  Socos muito fortes; ela caiu e quando se levantou insultando-o, sangrava do lábio.  Talvez tenha sido ao ver o sangue, mas o fato é que Nicolas apontou o revólver regulamentário para ela e a arma disparo...
Duas em uma – Alfredo Behrens
21b, Alfredo Behrens

Duas em uma – Alfredo Behrens

leer en español Elas eram duas irmãs gêmeas muito queridas. Bonitas e também inteligentes. Embora tivessem valores muito semelhantes, uma inclinou-se para as ciências e a outra para as artes. Maria era a futura cientista, ainda não se sabia se optaria pela matemática ou pela física, ou se optaria pelas ciências da vida. Joana, por outro lado, mostrou uma inclinação mais definida para as artes cênicas. Ela estava ficando histriônica e muito atraente. Miguel as conhecia desde pequeno, mas como foi estudar para o estrangeiro só retomou o contacto ao redor dos 25 anos e se apaixonou perdidamente por Joana, a histriónica. Eles se casaram e foram felizes até que ela teve um tumor no cérebro.  Apenas um transplante de cérebro a salvaria. Naqueles dias, Maria, a irmã cientista, sofreu um acide...
De faróis e faroleiros – Alfredo Behrens
19b, Alfredo Behrens

De faróis e faroleiros – Alfredo Behrens

leer en españolPara o poeta António Lucas “Um farol pode ser o último momento da vida”Para os marinheiros, um farol é um aviso; para mim, o farol é um símbolo civilizador e o faroleiro é uma incógnita. Quem poderia ficar sozinho por tanto tempo ligando e desligando um farol?Poe foi inspirado por um faroleiro para sua história "O Farol". Como o farol não tinha ninguém para operá-lo, o farol estava desligado e o barco que o levava quase naufragou por isso. O faroleiro, acompanhado de seu cachorro Neptuno, cuidaria para que ninguém mais passasse por tal infortúnio.Mas além do eco que só ele ouvia nas paredes, o faroleiro de Poe não tinha nada além de seu cachorro para ouvi-lo. Há romantismo na solidão, mas não creio que haja tanta nas formas mais austeras dela, como na vida do faroleiro. No e...
Dois irmãos – Alfredo Behrens
20a, Alfredo Behrens

Dois irmãos – Alfredo Behrens

leer en español Eles eram dois irmãos, o mais novo tinha cerca de oito anos e o outro cerca de doze. O pai comprou para eles uma garrafa média de Coca-Cola para eles compartilharem. O mais velho distraiu-se e quando voltou para a garrafa encontrou-a vazia. "A questão é", explicou rapidamente o menor, "minha metade estava abaixo da sua, então para beber a minha metade eu tive que beber a sua primeiro." Enfurecido com a maldade do irmão, o mais velho recorreu ao pai para arbitrar a disputa, mas este não pôde conter o riso e não impôs justiça. Não só isso, o pai não comprou outra garrafa. Em outras palavras, o mais velho ficou sem nada. Os anos se passaram e o mais novo tornou-se artista, o mais velho tornou-se professor universitário. Ou seja, seguiram os caminhos mais comuns para cad...
La luna y los cangrejos – Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

La luna y los cangrejos – Alfredo Behrens

ler em português De cuando leía periódicos en Montevideo recuerdo una página donde había de todo, tiras cómicas, crucigramas, horóscopos y más. En esa página también había un espacio que comenzaba preguntándole a uno: “Sabía Ud. que?” y a continuación te ensartaban algún absurdo inútil. En la internet también hay absurdos. Pero también hay otros, con los que seguramente podríamos vivir sin saberlo, pero que a mí me deleitan. Por ejemplo, en las costas de Kenia y Zanzíbar viven unos cangrejos que sintonizan con las fases de la luna el depósito de sus huevos en tierra. Fascinante. Los investigadores primero tenían que identificar las hembras de las diferentes poblaciones. Para mi todos son cangrejos y dan una buena sopa. Inicialmente los investigadores, que tampoco entendían mucho ...
Gargalhadas indiscretas – Alfredo Behrens
17b, Alfredo Behrens

Gargalhadas indiscretas – Alfredo Behrens

leer en españolQuando a vida me levava perto do bom e caro hospital alemão, mesmo por Cabala eu entrava para comer o fabuloso bolo de nozes em sua lanchonete. Mas, em geral, acho que poucos vão aos hospitais por motivos melhores do que esse.Pensando nisso, me lembrei da anedota de dois velhos amigos que quando crianças brincavam no bairro proletário do Brás, e que se encontraram por acaso no saguão do hospital alemão. Um perguntou ao outro por que ele estava ali, e ouviu seu velho amigo responder que sua sogra havia morrido.O indiscreto não tem limites, e insistiu perguntando o que sua sogra tinha? E soube pelo amigo que ela tinha deixado um apartamento com um quarto e uma sala no Brás.Ontem, assim que abri a porta para minha empregada, eu a vi toda de preto e de sem mais me disse que havi...
Traición sorda V – Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

Traición sorda V – Alfredo Behrens

Finalmente, el cuerpo de Mario fue liberado. Adelaide comenzó los preparativos del velorio llamando a los familiares y amigos más allegados. A esta altura todos sabían que Mario había sido muerto, y que fue por estrangulación. Juan y su mujer llegarían al velorio después de que todos los amigos hubieran intercambiado llamadas telefónicas y correos electrónicos chats y no se sabe qué más, todos preguntándose cómo sería posible que Mario hubiese sido muerto, y sin señales de robo en su apartamento. A lo largo de las semanas que precedieron al velorio el tema fue Mario y su muerte. Además de la natural congoja de los comentarios, no dejaba de intuirse un matiz de chismerío. La pregunta, aun cuando no hecha, giraba siempre entorno de quién podría haber sido y por qué. El largo chismer...
Traição surda IV – Alfredo Behrens
Alfredo Behrens, 14a

Traição surda IV – Alfredo Behrens

João ficou com um gosto amargo da conversa com Adelaide. Ela parecia genuinamente dolorida com a morte do Mário. Dava para entender. Mesmo que Mário se referisse repetidamente a ela como “aquela megera”, havia entre eles um entendimento, o amor não tinha morrido. Ao contrário do dele com a sua mulher. Vai ver que é por isso que João tinha matado o Mário e não a sua mulher. Por por ela não sentia mais do que pena. Quem traiu mesmo foi o Mário. Quem sabe o que foi que o Mário viu nela. Mas o fato é que o João agora também sentia falta do Mário. Mas, estava feito, e como bem disse a Adelaide, o velório do Mário só após os médicos forenses liberarem o corpo. João voltou o olhar para a sua mulher que continuava soluçando com a cabeça oculta nas mãos. Por que choraria ela? De amor não podia s...
Traição surda III – Alfredo Behrens
Alfredo Behrens, 13a

Traição surda III – Alfredo Behrens

Juan voltou a dormir mal. Mário tinha se transformado numa careta grotesca que o acompanhava dia e noite. Ele lia avidamente as páginas policiais para saber se o corpo já havia sido encontrado. Também notou que sua esposa havia deixado de ler as sociais e agora disfarçava seu próprio interesse lendo os obituários.Muitos dias se passaram sem que se soubesse do Mário, tantos que ela chegou a se perguntar se ele estaria realmente morto. Afinal, ela só o sacudiu algumas vezes e ele não respondeu. Exceto por isso, e aquele fio de baba pendurado no canto da boca, nada mais parecia indicar que ele estava morto. Deu-lhe um pouco de nojo lembrar-se daquele fio de baba. Mas talvez ele não tivesse morrido. Ela tinha ouvido falar que há mortos que acordam mais tarde. Houve até casos em que se viu que ...
Traición sorda III – Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

Traición sorda III – Alfredo Behrens

Juan volvió a dormir mal. Mario se le había convertido en una mueca grotesca que le acompañaba día y noche. Leía ávidamente la página policial para saber si ya habían descubierto su cuerpo. También notó que su mujer había dejado de leer las sociales y ahora disfrazaba su mismo interés necrológico.Pasaron muchos días sin saberse nada de Mario, tantos que ella llegó a preguntarse si él estaría de verdad muerto. Después de todo ella sólo lo había sacudido un par de veces y él no respondió. Salvo eso, y más un hilo de baba que le colgaba de la comisura de los labios, nada más pareciera indicar que estaba muerto. Le dio un poco de asco recordar ese hilo de baba. Pero tal vez no se hubiera muerto. Ella había oído que hay muertos que se despiertan después. Inclusive hubo casos en que se vio que l...
A lua e os caranguejos – Alfredo Behrens
18b, Alfredo Behrens

A lua e os caranguejos – Alfredo Behrens

leer en español Desde quando leio jornais em Montevidéu lembro-me de uma página onde tinha de tudo, histórias em quadrinhos, palavras cruzadas, horóscopos e muito mais. Nessa página também havia um espaço que começava perguntando: "Você sabia disso?" e ai eles te espetavam com algum absurdo inútil. Na internet também existem absurdos. Mas há também outros, também prescindíveis, mas que me encantam. Por exemplo, nas costas do Quênia e de Zanzibar vivem caranguejos que se sintonizam com as fases da lua quando depositam seus ovos na terra. Fascinante. Os pesquisadores primeiro tiveram que identificar as fêmeas de diferentes populações. Para mim são todos caranguejos e fazem uma boa sopa. Mas pesquisador é bicho diferente. Inicialmente os pesquisadores, que também não entendiam muito...
 Traición sorda VI – Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

 Traición sorda VI – Alfredo Behrens

ler em portuguêsJuan dirigió hasta su casa en silencio, mientras su mujer suspiraba. La vecina de Mario la había pillado. En el velorio la reconoció como frecuentadora solitaria del apartamento de Mario, intuyendo que sería su amante y por eso el desplante de darle su pésame.Juan estaba en un callejón sin salida. Su vida social estaría acabada si su mujer cayese en el chismerío. Ya no le importaba tanto si ella tuviera o no una coartada.Al llegar a su casa ella se fue a dormir mientras que él se quedó en el sofá. Se sirvió una buena dosis de güisqui, y a pensar. ¿En qué? La mueca de Mario le acompañaba para donde mirase, hasta con los ojos cerrados. Lo extrañaba, después de todo, Mario había sido su mejor amigo.Si pudiera aconsejarse con él, ¿qué le diría Mario? Seguro que le echaría a cul...