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Alfredo Behrens

Cardoso es libre – Alfredo Behrens
36b, Alfredo Behrens

Cardoso es libre – Alfredo Behrens

De lunes a sábado vive de las monedas de los conductores a los que ayuda a aparcar delante de un mercado de Oporto. Los domingos hace lo mismo en una iglesia cercana. Por sus ropas, no pareciera que recibe muchas monedas. O tal vez sí, pero las invierte en bebida. De hecho, nunca he visto a Cardoso completamente sobrio. Aun así, su conversación es lúcida. No sé si hay alguien que lo cuide; aunque incluso me señaló a una mujer que salía en su auto, diciéndome que le había abierto una cuenta bancaria a él, que nunca había tenido una cuenta. Pero bebe, mucho. Hasta el punto de que me sorprendió el día que declinó mi invitación a tomar una copa de vino. Antes, nunca habría rechazado una invitación así. Pero me explicó que se había peleado con la dueña del restaurante donde almuerzo en una mesa...
Relógio de cuco – Alfredo Behrens
35b, Alfredo Behrens

Relógio de cuco – Alfredo Behrens

ler em espanhol Para fumar apenas um cigarrinho na calçada, Marta deixou a cozinha onde trabalha e se postou na soleira da entrada do restaurante. Foi justo quando os sinos da igreja começavam a badalar o meio-dia. Marta tem um sorriso luminoso, daqueles que convidam a um bom papo e espetei-lhe: — “Como foi a sua vida?” Se Marta fosse homem teria feito uma resenha dos seus êxitos. Mas Marta é muito mulher e escolheu mapear a sua vida afetiva: — “Casei aos 23 e pouco tempo depois tive o meu único filho, hoje com 18. Fui feliz, mas fiquei viúva apos dez anos de casamento”.  Sem deixar de sorrir, e olhando para a rua, a Marta continuou: — “Tive outras paragens, mas cheguei a pensar, como naquela canção brasileira, que tinham acabado todos os bons homens”. E como uma leve encolhid...
O Sol apertou o gatilho – Alfredo Behrens
34a, Alfredo Behrens

O Sol apertou o gatilho – Alfredo Behrens

leer en españolQuando a honra contava, já havia tempestades solares induzindo à matança, mas para matar era preciso de força ou muita raiva, e de coragem. Depois vieram as armas de fogo e igualaram os homens. Agora é só puxar o gatilho. Nem é preciso chegar muito mais perto um do outro, já estamos muito amontoados.Mas, curiosamente, ainda é necessário um motivo para matar. A raiva pode ser grande, até mesmo acalentada por muito tempo. Mas para puxar um gatilho é necessário de um estopim. É por isso que os investigadores criminais procuram tantos detalhes: tempo, arma, circunstâncias, drogas, história e muito mais. Só mais recentemente a esta longa lista deveria ser acrescentada outra: qual era a magnitude da tempestade solar antes do crime?Desde que o protestantismo eliminou a intermediaçã...
Alfredo Behrens

Lanzamos cohetes a buen precio – Alfredo Behrens

ler em portuguêsSi no fuese trágico, sería  divertido ver a países jóvenes hacerse los grandes. Se ven como aquellos niños que visten las ropas de sus padres. Hasta nos hacen gracia, a menos que jueguen con fuego.Fue lo que le pasó al Brasil cuando perdió buena parte de una generación de ingenieros y técnicos aeroespaciales cuando intentaba lanzar un cohete. Por eso de que quiero ser grande y no quiero esperar a crecer, Brasil tomó atajos en el arte de lanzar cohetes y uno se prendió fuego en la plataforma. Quemó todo y a todos alrededor.Nunca se supo bien porqué pasó. Se sabe, sin embargo, que días antes los técnicos reportaban que sentían choques eléctricos al tocar al cohete, como cuando uno toca una refrigeradora mal instalada.Averiguar por qué el cohete daba choques habría atrasado el...
O dedo do meio – Alfredo Behrens
30b, Alfredo Behrens

O dedo do meio – Alfredo Behrens

leer en español O dedo do meio não serve apenas para insultar. Segundo a insuspeita revista Science, apenas nas últimas duas décadas há pelo menos um milhar de artigos que afirmam que o comprimento relativo do dedo do meio da mão sugere atributos desde saúde e inteligência até liderança. Vale tudo, mas há hordas de incautos medindo os dedos das suas mãos antes de visitar o médico, ou mesmo durante workshops de trabalho em equipe. Algo semelhante já foi dito sobre o nariz da egípcia Cleópatra. O narigão dela revelaria atributos indiscutíveis para liderança e sedução. Júlio César que o diga. Mas como ambos morreram, não dá para verificar, salvo o nariz dela por retratos da corte. O problema é que cada um desenha o que a corte, ou o mercado querem. Entre nós, o mercado decide. Daí que ...
¿Quién será? – Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

¿Quién será? – Alfredo Behrens

ler em português Una vez en São Paulo, de pie en uno de esos buses que tiemblan mucho, y junto a una linda jovencita a quien se le cayó algo, tuvo que pedirle a la joven que recogiera lo que se le había caído, ¡de lo contrario pudiera ser que ella tuviera que levantarlo también a él del suelo! Él cree que este fue el comienzo de su tomada de conciencia de que ya no era el mismo. Que ese fue el principio de su fin. Continuó combativo cuando lo creía necesario, altivo a veces. Pero a medida que pasaba el tiempo, comenzó a darse cuenta de que ya no podía en la parada leer el destino de los autobuses antes que nadie, y comenzó a usar gafas. Pero también empezó a pensar que el agua de la ducha tardaba más en calentarse, y para eso no había prótesis. Cuando escuchó que había un virus que pod...
Nicolas não quis – Alfredo Behrens
25c, Alfredo Behrens

Nicolas não quis – Alfredo Behrens

leer en español Nicolas era um bom sujeito, apesar de ser policial. Ele frequentava um bar onde jogava bilhar e bebia com os amigos.  Também é verdade que as vezes ele bebia demais, mas era rara a vez que ele ficava violento, embora teve uma vez que ele deu uns socos em alguns dos presentes. Aquilo foi difícil, mas não passou disso, e foi uma vez só. Mas a Maria não gostava de como Nicolas chegava em casa trôpego, às vezes gritando, outras insultando. Não eram muitas, é verdade, mas era muito desagradável. Mas da última vez Nicolas chegou muito agressivo e chegou a dar socos na Maria.  Socos muito fortes; ela caiu e quando se levantou insultando-o, sangrava do lábio.  Talvez tenha sido ao ver o sangue, mas o fato é que Nicolas apontou o revólver regulamentário para ela e a arma disparo...
Duas em uma – Alfredo Behrens
21b, Alfredo Behrens

Duas em uma – Alfredo Behrens

leer en español Elas eram duas irmãs gêmeas muito queridas. Bonitas e também inteligentes. Embora tivessem valores muito semelhantes, uma inclinou-se para as ciências e a outra para as artes. Maria era a futura cientista, ainda não se sabia se optaria pela matemática ou pela física, ou se optaria pelas ciências da vida. Joana, por outro lado, mostrou uma inclinação mais definida para as artes cênicas. Ela estava ficando histriônica e muito atraente. Miguel as conhecia desde pequeno, mas como foi estudar para o estrangeiro só retomou o contacto ao redor dos 25 anos e se apaixonou perdidamente por Joana, a histriónica. Eles se casaram e foram felizes até que ela teve um tumor no cérebro.  Apenas um transplante de cérebro a salvaria. Naqueles dias, Maria, a irmã cientista, sofreu um acide...
De faróis e faroleiros – Alfredo Behrens
19b, Alfredo Behrens

De faróis e faroleiros – Alfredo Behrens

leer en españolPara o poeta António Lucas “Um farol pode ser o último momento da vida”Para os marinheiros, um farol é um aviso; para mim, o farol é um símbolo civilizador e o faroleiro é uma incógnita. Quem poderia ficar sozinho por tanto tempo ligando e desligando um farol?Poe foi inspirado por um faroleiro para sua história "O Farol". Como o farol não tinha ninguém para operá-lo, o farol estava desligado e o barco que o levava quase naufragou por isso. O faroleiro, acompanhado de seu cachorro Neptuno, cuidaria para que ninguém mais passasse por tal infortúnio.Mas além do eco que só ele ouvia nas paredes, o faroleiro de Poe não tinha nada além de seu cachorro para ouvi-lo. Há romantismo na solidão, mas não creio que haja tanta nas formas mais austeras dela, como na vida do faroleiro. No e...
Dois irmãos – Alfredo Behrens
20a, Alfredo Behrens

Dois irmãos – Alfredo Behrens

leer en español Eles eram dois irmãos, o mais novo tinha cerca de oito anos e o outro cerca de doze. O pai comprou para eles uma garrafa média de Coca-Cola para eles compartilharem. O mais velho distraiu-se e quando voltou para a garrafa encontrou-a vazia. "A questão é", explicou rapidamente o menor, "minha metade estava abaixo da sua, então para beber a minha metade eu tive que beber a sua primeiro." Enfurecido com a maldade do irmão, o mais velho recorreu ao pai para arbitrar a disputa, mas este não pôde conter o riso e não impôs justiça. Não só isso, o pai não comprou outra garrafa. Em outras palavras, o mais velho ficou sem nada. Os anos se passaram e o mais novo tornou-se artista, o mais velho tornou-se professor universitário. Ou seja, seguiram os caminhos mais comuns para cad...
La luna y los cangrejos – Alfredo Behrens
Alfredo Behrens

La luna y los cangrejos – Alfredo Behrens

ler em português De cuando leía periódicos en Montevideo recuerdo una página donde había de todo, tiras cómicas, crucigramas, horóscopos y más. En esa página también había un espacio que comenzaba preguntándole a uno: “Sabía Ud. que?” y a continuación te ensartaban algún absurdo inútil. En la internet también hay absurdos. Pero también hay otros, con los que seguramente podríamos vivir sin saberlo, pero que a mí me deleitan. Por ejemplo, en las costas de Kenia y Zanzíbar viven unos cangrejos que sintonizan con las fases de la luna el depósito de sus huevos en tierra. Fascinante. Los investigadores primero tenían que identificar las hembras de las diferentes poblaciones. Para mi todos son cangrejos y dan una buena sopa. Inicialmente los investigadores, que tampoco entendían mucho ...
Gargalhadas indiscretas – Alfredo Behrens
17b, Alfredo Behrens

Gargalhadas indiscretas – Alfredo Behrens

leer en españolQuando a vida me levava perto do bom e caro hospital alemão, mesmo por Cabala eu entrava para comer o fabuloso bolo de nozes em sua lanchonete. Mas, em geral, acho que poucos vão aos hospitais por motivos melhores do que esse.Pensando nisso, me lembrei da anedota de dois velhos amigos que quando crianças brincavam no bairro proletário do Brás, e que se encontraram por acaso no saguão do hospital alemão. Um perguntou ao outro por que ele estava ali, e ouviu seu velho amigo responder que sua sogra havia morrido.O indiscreto não tem limites, e insistiu perguntando o que sua sogra tinha? E soube pelo amigo que ela tinha deixado um apartamento com um quarto e uma sala no Brás.Ontem, assim que abri a porta para minha empregada, eu a vi toda de preto e de sem mais me disse que havi...